de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Terça-feira, 23 de Abril de 2013
As tarefas dos destacamentos do exército revolucionário
  1. Acções militares independentes.
  2. Direcção das massas.

Os destacamentos podiam ser de qualquer tamanho a partir de dois-três homens.

Os destacamentos devem armar-se a si próprios, cada um o melhor possível (espingardas, revólveres, bombas, facas, matracas, bastões, trapos impregnados de petróleo para servir de archotes, cordas ou escadas de corda, pás para a construção de barricadas, cápsulas de algodão-pólvora, arame farpado, pregos [contra a cavalaria], etc.). Não esperes nunca ajuda do lado, de cima, de fora, faz tudo sozinho.

Os destacamentos devem compor-se tanto quanto possível de pessoas vivendo perto umas das outras ou que se encontrem frequentemente, regularmente, a horas determinadas (o melhor é que estas duas condições coincidam, porque os encontros regulares podem ser impedidos pela insurreição). Ser-lhes-á preciso arranjar as coisas de maneira que se possam encontrar juntos nos momentos mais críticos, nas situações mais imprevistas. É a razão por que cada destacamento deverá fixar antecipadamente os métodos e os processos das suas acções em conjunto: sinalização nas janelas, etc., para se reunirem mais facilmente; gritos ou assobios convencionados para reconhecer um camarada na multidão, sinais de reconhecimento para os casos de encontro nocturno, etc.. Todo o homem enérgico pode, com dois ou três camaradas, estabelecer regras e diversos processos deste género, que é preciso determinar, aprender, exercitar-se e aplicar. Não esqueçamos que há 99% de probabilidades de se ser surpreendido pelos acontecimentos, e obrigado a reunir com as maiores dificuldades.

Mesmo sem armas, os destacamentos podem ter um papel sério: 1. dirigindo o povo; 2. atacando, logo que aparece uma ocasião, um agente da polícia, um cossaco isolado (como aconteceu em Moscovo), etc., para o desarmar; 3. libertando as pessoas detidas ou feridas quando a polícia não está em força; 4. ocupando as coberturas e os andares superiores das habitações, etc., para fazer chover sobre a tropa pedras, água a ferver, etc.. Com eficácia, um destacamento militar organizado e estreitamente unido será uma grande força. Não se deve em nenhum caso renunciar à organização de um destacamento militar, nem adiá-la sob pretexto de falta de armas.

Os destacamentos devem, tanto quanto possível, proceder adiantadamente à distribuição das funções e, por vezes, designar antecipadamente o seu chefe. Não seria razoável brincar com a distribuição das graduações, mas não se pode esquecer a grande importância de uma direcção única, de uma acção pronta e resoluta. A resolução, o espírito de ofensiva, asseguram três quartos do sucesso.

Desde a sua formação, quer dizer desde agora, os destacamentos terão de começar o seu trabalho sob todos os seus aspectos, não somente teóricos mas e obrigatoriamente práticos. Colocamos no trabalho teórico o estudo das ciências militares, os ensinamentos sobre algumas questões militares; as conferências sobre problemas militares, palestras com a participação de militares (oficiais, sub-oficiais e mesmo operários antigos militares); a leitura, a análise e o estudo de brochuras ilegais e artigos de jornais sobre os combates de rua, etc..

Os trabalhos práticos, repitamo-lo, devem ser começados imediatamente. Dividem-se em trabalhos preparatórios e em operações militares. Aos trabalhos preparatórios dizem respeito a procura de armas e projécteis de toda a espécie, de habitações apropriadas aos combates de rua (habitações permitindo dominar a rua, estabelecer depósitos de bombas, pedras, etc., ou ácidos que se atirará sobre a polícia, etc., albergar o estado-maior, reunir as informações, esconder as pessoas perseguidas, hospitalizar os feridos, etc.). Aos trabalhos preparatórios dizem respeito ainda os trabalhos imediatos de exploração e de reconhecimento. É preciso obter os planos das prisões, dos postos da polícia, dos ministérios, etc., conhecer os regulamentos sobre a distribuição do trabalho nas instituições do Estado, dos bancos, etc., conhecer as condições de vigilância destes estabelecimentos, esforçar-se por estabelecer relações úteis (entre o pessoal da polícia, dos bancos, dos tribunais, das prisões, dos correios, dos telégrafos, etc.), conhecer os depósitos de armas, todos os estabelecimentos de armas da cidade, etc.. Há trabalho em barda, e trabalho onde cada um pode ter imensa utilidade, mesmo sem ter a mais pequena aptidão para o combate de ruas, mesmo pessoas débeis, as mulheres, os adolescentes, os velhos, etc.; esforçar-nos-emos para reunir desde agora nos destacamentos, sem a mais pequena excepção, todos os que querem participar na insurreição, porque não há nem pode haver ninguém que, se tenha desejo de trabalhar, não possa ter uma grande utilidade à causa, mesmo se as armas lhe fazem falta, mesmo se é inapto para a luta.

Em caso algum, os destacamentos do exército revolucionário limitar-se-ão só às acções preparatórias e passarão, mas passarão tão prontamente quanto possível, às acções militares a fim de: 1 exercitar as forças de combate; 2 conhecer os pontos fracos do inimigo; 3 infligir ao inimigo derrotas parciais; 4 libertar os prisioneiros (escolhidos); procurar armas, conseguir fundos para a insurreição (confiscação dos fundos do governo), etc.. Os destacamentos podem e devem perceber no momento preciso a ocasião propícia à realização de uma acção vigorosa sem esperara a insurreição geral, porque não se pode estar apto para a insurreição sem aller au feu.

Certamente todo o exagero é deplorável; tudo o que de bom e útil, se é exagerado, pode tornar-se fatalmente para além de certos limites, mau e prejudicial. O terrorismo em pequena escala, levado ao extremo, desordenado e não preparado não leva senão a dispersar e a desperdiçar as forças. É verdade e não se deve esquecê-lo. Mas por outro lado, não se devia esquecer, em nenhum caso, que a palavra de ordem da insurreição foi já lançada hoje, que a insurreição já começou. Começar o ataque, se houver condições favoráveis, não é somente um direito, mas também a obrigação directa de todo o revolucionário. Matar espiões, polícias, guardas, atacar os postos da polícia, libertar os prisioneiros, confiscar os fundos do governo para a insurreição: estas operações e outras do género já foram feitas por todo o lado onde se inflama a insurreição, na Polónia como no Cáucaso, e todo o destacamento do exército revolucionário deve estar imediatamente pronto para operações semelhantes. Qualquer destacamento se deve lembrar que, se deixa escapar hoje a ocasião propícia à realização destas operações, torna-se culpado de uma inacção imperdoável, culpado de passividade, e que esta falta é um crime maior da parte do revolucionário na altura da insurreição, que constitui a maior desonra para alguém que aspire à liberdade de facto e não de palavras.

Quanto à composição destes destacamentos, pode-se dizer o que se segue. Os efectivos desejáveis e a distribuição das funções não serão determinados pela experiência. Estas experiência, devemos nós próprios começar a elaborar, sem esperar indicações de ninguém. Pedir-se-á naturalmente à organização revolucionária local para enviar ao destacamento um militar revolucionário que fará conferências e palestras, dará conselhos; mas se ele não comparecer, agir-se-á obrigatoriamente por si próprio sem hesitar.

No que respeita à divisão segundo os partidos, é natural que os membros de um dado partido prefiram reunir-se no mesmo destacamento. Mas não há razão de se oporem absolutamente à entrada nos destacamentos de membros de diferentes partidos. É aqui justamente que nós devemos realizar a união, a aliança prática (sem a menor fusão dos partidos, entenda-se), do proletariado socialista e da democracia revolucionária. Todo aquele que queira lutar pela liberdade e o mostre por actos que prestou, pode ser classificado entre os democratas revolucionários, e devemo-nos esforçar por trabalhar com ele na preparação da insurreição, (na condição, está bem entendido, de que a pessoa ou grupo inspirem inteira confiança). Todos os outros democratas devem ser claramente afastados, na qualidade de quasi democratas, na qualidade de bons oradores liberais com os quais não se pode contar, nos quais seria criminoso, para os revolucionários, ter confiança.

A união dos destacamentos é, evidentemente, desejável. A elaboração das formas e das condições da sua actividade comum será extremamente útil. Mas não será preciso cair em caso algum no exagero pondo-se a elaborar planos complicados, esquemas gerais, e adiando a acção activa por fantasias pedantescas, etc. A insurreição far-se-á inevitavelmente em condições onde os elementos desorganizados serão mil vezes mais numerosos que os elementos organizados; haverá também forçosamente, casos em que será preciso intervir no local, imediatamente, a dois ou mesmo sozinho, e cada um deve-se preparar para agir com os seus riscos e perigos. As demoras, as discussões, as hesitações, são o insucesso da insurreição. A maior resolução, a máxima energia, a utilização imediata das paixões revolucionárias da multidão, a orientação desta para as acções mais enérgicas e mais resolutas, é o primeiro dever do revolucionário.

A luta contra os Cem-Negros constitui uma acção militar excelente, que forma os soldados do exército revolucionário, dá-lhes o baptismo de guerra e apresenta para a revolução uma grande utilidade. Os destacamentos do exército revolucionário devem estudar imediatamente como, onde e de quem se formam as centúrias negras, e não se limitar em seguida só à propaganda (Insuficiente ainda que útil), mas intervir pela força das armas, assaltando os Cem-Negros, matando-os, fazendo explodir os seus quartéis generais, etc.

 Escrito no fim de Outubro de 1905.



publicado por portopctp às 23:29
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