de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
Os ensinamentos da insurreição de Moscovo

O livro Moscovo em Dezembro de 1905 (M. 1906) apareceu na melhor altura. A tarefa imediata do Partido Operário é a de assimilar a experiência da insurreição de Dezembro[1]. É de lamentar que este livro seja uma barrica de mel com uma colherada de breu: uma documentação bastante interessante, apesar de incompleta, mas, infelizmente, as conclusões são incrivelmente vulgares. Dessas conclusões falaremos à parte; de momento, abordaremos a questão de grande actualidade política, as lições da insurreição de Moscovo.

As formas essenciais do movimento de Dezembro em Moscovo foram a greve pacífica e as manifestações. A imensa maioria dos operários não participou activamente senão nestas formas de luta. Mas, precisamente, o movimento de Dezembro em Moscovo mostrou de maneira clara que a greve geral caducou como forma independente e principal de luta; que o movimento transborda, com uma força instintiva e irresistível, desse leito estreito dando lugar à forma de luta mais elevada: a insurreição.

Todos os partidos revolucionários, todos os sindicatos de Moscovo ao declararem a greve, tinham consciência e pressentiam mesmo que ela se transformaria inelutavelmente em insurreição. A 19 6 de Dezembro, o Soviete de deputados operários decidiu que se «esforçaria por transformar a greve em insurreição armada». Mas, na realidade, nenhuma das organizações estava preparada para isso; mesmo o Conselho coligado dos grupos de combate[2] falava (a 22 [9] de Dezembro!) da insurreição como de uma coisa ainda distante, e é certo que a luta de rua se desenrolou independentemente e por cima dele. As organizações tinham-se atrasado em relação ao crescimento e à envergadura do movimento.

A greve transformar-se-ia em insurreição, principalmente sob a pressão das condições objectivas criadas depois de Outubro[3]. Já não era possível surpreender o governo com uma greve geral; ele já tinha organizado uma contra-revolução prestes a ser militarmente desencadeada. Tanto o curso geral da revolução russa depois de Outubro como a sucessão dos acontecimentos de Moscovo, nas jornadas de Dezembro, confirmaram, de forma inegável, uma das grandes teses de Marx: a revolução avança criando uma contra-revolução forte e unida, isto é, obriga o inimigo a recorrer a meios de defesa cada vez mais extremos e elabora ao mesmo tempo meios de ataque cada vez mais poderosos[4].

20 [7] e 21 [8] de Dezembro: greve pacífica, grandes manifestações pacíficas. Noite do dia 21 [8]: cerco do Aquarium[5]. A 22 [9] durante o dia: os dragões carregam sobre a multidão na praça Strastnaia. À noite, devastação na casa de Fidler[6]. Os ânimos exaltam-se. A multidão desorganizada da rua levanta, de maneira totalmente espontânea e com vacilações, as primeiras barricadas.

Dia 23 [10]: a artilharia abre fogo sobre as barricadas e sobre a multidão. As barricadas são erguidas sem hesitação e não isoladamente mas em massa. Toda a população está nas ruas; as principais artérias da cidade cobrem-se de barricadas. Durante vários dias desenrola-se uma obstinada luta de guerrilhas entre os destacamentos de combate e a tropa, luta que extenua os soldados e obriga Doubassov a implorar reforços. Só a 28 [15] de Dezembro a superioridade das forças governamentais é completa, e, a 30 [17], o regimento Semionovsky[7] esmaga Presnia, último baluarte da insurreição.

Da greve e das manifestações passou-se à edificação de barricadas isoladas; das barricadas isoladas à construção de barricadas em massa e aos combates de rua contra a tropa. Por cima da cabeça das organizações, a luta proletária de massa passou da greve à insurreição. Esta é a grande conquista histórica da revolução russa nas jornadas de Dezembro de 1905, e, como as precedentes, conseguida à custa de imensos sacrifícios. O movimento elevou-se da greve política geral a um grau superior. Forçou a reacção a ir até ao fim na sua resistência, aproximando formidavelmente, desta maneira, o momento em que a revolução irá também até ao fim empregando os seus meios ofensivos. A reacção não pode ir além do bombardeamento das barricadas, das casas e da multidão. A revolução tem, entretanto, de passar para além dos destacamentos de combate de Moscovo, muito para além tanto em extensão como em profundidade. E a revolução já avançou muito depois de Dezembro. A base da crise revolucionária tornou-se infinitamente mais ampla: não resta senão, agora, afiar mais o gume.

A mudança das condições objectivas da luta, exigindo passar da greve à insurreição, foi sentida pelo proletariado antes dos seus dirigentes. A prática, como sempre, precedeu a teoria. A greve pacífica e as manifestações deixaram de satisfazer os operários, que perguntavam: e depois? Exigiam uma acção mais decidida. A ordem de levantar barricadas chegou aos bairros com um atraso considerável, quando elas já estavam a ser construídas no centro da cidade. Os operários lançaram-se em massa ao trabalho, mas isso também não os satisfazia, e perguntavam: e depois? Exigiam uma acção mais decidida. Nós, dirigentes do proletariado social-democrata, agimos em Dezembro como aquele estratega que tinha dispostos os seus regimentos tão absurdamente que a maior parte das suas tropas não estava em condições de participar activamente na batalha. Os operários procuravam directivas para uma decidida acção de massas e não as encontravam.

Assim, nada mais míope do que o ponto de vista de Plekhanov, seguido por todos os oportunistas, segundo o qual não se devia ter desencadeado esta greve inoportuna, «não se devia ter pegado em armas». Pelo contrário, devia-se ter pegado em armas mais resolutamente, com mais energia e com um espírito mais ofensivo; devia-se ter explicado às massas a impossibilidade de uma greve pacífica e a necessidade de uma luta armada intrépida e implacável. Hoje devemos, afinal, reconhecer publicamente e proclamar bem alto a insuficiência das greves políticas; devemos fazer agitação entre as massas a favor da insurreição armada, sem escamotear a questão a pretexto de «medidas preliminares», sem a cobrir com um véu. Esconder às massas a necessidade de uma guerra exterminadora, sangrenta e desesperada, como objectivo imediato da actuação futura, é iludir-se a si próprio e iludir o povo.

Tal é a primeira lição dos acontecimentos de Dezembro. A segunda diz respeito ao carácter da insurreição, à maneira de a conduzir, às condições em que as tropas passam para o lado do povo. Sobre este último ponto, entre a ala direita do nosso Partido está muito difundida uma opinião muito estreita. É impossível, diz-se, lutar contra um exército moderno; é preciso que o exército se torne revolucionário. Evidentemente, se a revolução não ganha as massas e o próprio exército, não se pode pensar sequer numa luta séria. É claro que a acção no exército é necessária. Mas não se pode imaginar uma mudança de posição da tropa como um acto simples e isolado, resultante da persuasão de uma parte e da tomada de consciência da outra. A insurreição de Moscovo demonstra claramente o que esta concepção tem de rotineira e estéril. Na realidade a indecisão da tropa, inevitável em qualquer movimento verdadeiramente popular, conduz, quando a luta revolucionária se agudiza, a uma verdadeira luta para a conquista do exército. A insurreição de Moscovo mostra-nos precisamente a luta mais implacável, mais furiosa, da reacção e da revolução para a conquista do exército. O próprio Doubassov declarou que só 5000 homens dos 15 000 da guarnição de Moscovo, eram seguros. O governo procurava conservar os hesitantes com as medidas mais diversas e desesperadas: persuadia-os, adulava-os, subornava-os com relógios, dinheiro, etc.; embriagava-os com aguardente, enganava-os, atemorizava-os, prendia-os nos quartéis, desarmava-os, isolava pela traiçao ou pela violência aqueles de quem mais suspeitava. E é preciso ter a coragem de reconhecer sinceramente que, sob este aspecto, o governo nos ultrapassou. Não soubemos utilizar as forças de que dispúnhamos para sustentar uma luta tão activa, penosa, ousada e irresistível, como a empreendida pelo governo, e coroada de êxito, para conquistar as tropas vacilantes. Temo-nos dedicado, e dedicar-nos-emos com maior tenacidade ainda, a «trabalhar» ideologicamente o exército. Mas não passaríamos de lamentáveis pedantes se esquecêssemos que no momento da insurreição também é necessário recorrer à luta física para conquistar o exército.

Durante as jornadas de Dezembro, o proletariado de Moscovo deu-nos admiráveis lições de acção moral sobre a tropa: no dia 21 [8] de Dezembro, por exemplo, na praça Strastnaia, quando a multidão rodeou os cossacos, se misturou e confraternizou com eles e os convenceu a retirar. Ou ainda no dia 23 [10], em Presnia, quando duas jovens operárias, arvorando uma bandeira vermelha no meio de uma multidão de dez mil pessoas, saíram ao encontro dos cossacos, gritando: «Matai-nos! Enquanto vivermos não tomareis a nossa bandeira!» E os cossacos confusos, voltaram as costas, enquanto a multidão gritava: «Vivam os cossacos!». Estes exemplos de audácia e de heroísmo devem ficar gravados para sempre na memória dos proletários.

Mas vejamos alguns exemplos que demonstram a nossa inferioridade em relação a Doubassov. A 22 [9] de Dezembro, para se unirem aos insurrectos, soldados desfilam pela rua Bolchaia Serpoukhovskaia, ao canto d’A Marselhesa. Os operários enviam-lhes delegados. Malakhov galopa desesperadamente em direcção a eles. Os operários chegam atrasados; Malakhov antecipa-se. Pronuncia um discurso vibrante que faz vacilar os soldados, depois cerca-os com os dragões, condu-los ao quartel e prende-os. Malakhov chegou a tempo e nós não, apesar de, em dois dias, ao nosso apelo se terem levantado 150 000 homens que podiam e deviam organizar um serviço de patrulhas nas ruas. Malakhov cercou os soldados pelos dragões; nós não cercámos Malakhov e os seus homens por lançadores de bombas. Podíamos e devíamos fazê-lo; já há muito que a imprensa social-democrata (a velha Iskra) tinha assinalado que o nosso dever em tempo de insurreição era exterminar implacavelmente os chefes civis e militares. O que se verificou na rua Bolchaia Serpoukhovskaia, repetiu-se aparentemente, em linhas gerais, diante dos quartéis Nesvijskié e Kroutitskié, e por ocasião das tentativas do proletariado de «render» os homens do regimento de Iékatérinoslav, do envio de delegados aos sapadores de Alexandrov, da reexpedição da artilharia de Rostov dirigida contra Moscovo, do desarmamento dos sapadores de Kolomna, e assim sucessivamente. Durante a insurreição não estivemos à altura da nossa tarefa na luta para conquistar as tropas vacilantes.

Dezembro confirmou outra profunda tese de Marx, esquecida pelos oportunistas: a insurreição é uma arte e a principal regra desta arte é a ofensiva encarniçadamente audaciosa, implacavelmente decidida. Não assimilamos suficientemente esta verdade. Não aprendemos nem ensinamos suficientemente às massas esta arte, esta regra da ofensiva a qualquer preço. Agora devemos, com todas as nossas forças, recuperar o tempo perdido. Não basta agrupar-se sob as palavras de ordem políticas; é preciso agrupar-se também em relação à insurreição armada. Aquele que se opuser, aquele que não se preparar para ela, deve ser afastado sem piedade das fileiras dos partidários da revolução, lançado no campo dos seus adversários, dos traidores ou dos cobardes, pois aproxima-se o dia em que a força dos acontecimentos e as circunstâncias da luta obrigar-nos-ão a distinguir, deste modo, os amigos dos inimigos. Não devemos pregar a passividade, nem a simples «espera» pelo momento em que a tropa «se passe» para o nosso lado; devemos proclamar a necessidade da ofensiva intrépida, do ataque à mão armada, a necessidade de exterminar os chefes e de lutar com a maior energia para conquistar as tropas vacilantes.

A terceira grande lição de Moscovo refere-se à táctica e à organização das nossas forças para a insurreição. A táctica militar depende do nível da técnica militar. Foi Engels que sintetizou esta verdade e a deu mastigada aos marxistas[8]. A técnica militar não é mais a dos meados do séc. XIX. Seria um erro opor a multidão à artilharia e defender as barricadas com revólver. E Kautsky tinha razão quando escrevia que já era tempo, depois de Moscovo, de rever as conclusões de Engels, e que Moscovo fez surgir «uma nova táctica das barricadas»[9]. Esta táctica era a táctica de guerrilhas. A organização que esta táctica pressupunha eram os pequenos destacamentos móveis: grupos de dez, de três e mesmo de dois homens. Actualmente, podem-se encontrar entre nós, com frequência, social-democratas que troçam quando se fala desses grupos de cinco ou de três. Mas os risos zombeteiros não são mais do que uma maneira cómoda de fechar os olhos a esta nova questão da táctica e da organização reclamadas pelos combates de rua, face à técnica militar moderna. Leiam atentamente o relato da insurreição de Moscovo, e compreendereis qual a relação existente entre o «grupos de cinco» e a questão da «nova táctica das barricadas».

Moscovo fez surgir esta táctica, mas está longe de a ter desenvolvido, está longe de a ter convertido numa verdadeira táctica de massas. Os grupos de combate eram pouco numerosos; a massa operária não tinha recebido a palavra de ataques audaciosos e não agiu nesse sentido; os destacamentos de guerrilheiros eram demasiado uniformes, insuficientes em armamento e em métodos; não sabiam dirigir a multidão. Devemos recuperar, e recuperá-lo-emos, o tempo perdido estudando a experiência de Moscovo, difundindo-a entre as massas, estimulando a iniciativa criadora das próprias massas no sentido do desenvolvimento desta experiência. E a guerra de guerrilhas, o terror geral que quase sem interrupção se estende por toda a Rússia depois de Dezembro, contribuirão sem dúvida para ensinar às massas a táctica apropriada durante a insurreição. A social-democracia deve admitir e incorporar na sua táctica este terror exercido pelas massas, deve organizá-lo e controlá-lo subordinando-o aos interesses e às necessidades do movimento operário e da luta revolucionária geral; deve eliminar e cortar implacavelmente a tendência de transformar a guerra de guerrilhas numa «ninharia», deformação da qual fizeram justiça duma maneira tão maravilhosa e implacável os moscovitas durante a insurreição, e os letões durante as famosas repúblicas letãs[10].

A técnica militar, nestes últimos tempos, registou novos progressos. A guerra japonesa fez surgir a granada de mão. As fábricas de armas lançaram no mercado a espingarda automática. Ambas são já utilizadas com Êxito na revolução russa, mas em proporções que estão longe de serem suficientes. Podemos e devemos aproveitar os aperfeiçoamentos técnicos, ensinar aos destacamentos operários o fabrico massivo de bombas, ajudá-los, assim como aos nossos destacamentos de combate, a munir-se de explosivos, balas e espingardas automáticas. Se a massa operária participar na insurreição das cidades; se atacarmos em massa o inimigo; se lutarmos de maneira hábil e decidida para conquistar o exército, que vacila ainda mais depois da experiência da Duma, depois de Sveaborg e Cronstadt[11]; se for assegurada a participação do campo na luta comum, a vitória será nossa na próxima insurreição de toda a Rússia!

Estendamos, pois, mais amplamente a nossa actividade e definamos com maior audácia as nossas tarefas, assimilando os ensinamentos das grandes jornadas da revolução russa. A nossa actividade baseia-se numa justa apreciação dos interesses das classes e das necessidades do desenvolvimento do povo no presente momento. Em torno da palavra de ordem: derrubamento do poder czarista e convocação da Assembleia Constituinte por um governo revolucionário, agrupamos e agruparemos uma parte cada vez maior do proletariado, do campesinato e do exército. Desenvolver a consciência das massas continua a ser, como sempre, a base e o conteúdo principal de todo o nosso trabalho. Mas não esqueçamos que nos momentos como o que atravessa a Rússia, a este dever geral, contínuo e fundamental, se juntam as tarefas particulares, específicas. Não nos convertamos em pedantes e filisteus, não voltemos as costas a estas tarefas particulares do momento, a estas tarefas específicas das formas actuais de luta, invocando despropositadamente deveres constantes e imutáveis, quaisquer que sejam as épocas e as circunstâncias.

Lembremo-nos que se aproxima o dia da grande luta de massas. Será a insurreição armada. Ela deve ser, na medida do possível simultânea. As massas devem saber que se lançam numa luta armada, sangrenta e implacável. O desprezo pela morte deve difundir-se entre as massas e assegurar a vitória. A ofensiva contra inimigo deve ser o mais enérgica possível; o ataque e não a defesa deve ser a palavra de ordem das massas; extermínio implacável do inimigo: tal será o seu objectivo; a organização de combate será móvel e ágil; os elementos vacilantes do exército serão arrastados à luta activa. O Partido do proletariado consciente deve cumprir o seu dever nesta grande luta.

Prolétari, n.º 2, 11 de Setembro [29 de Agosto] de 1906



[1] Insurreição armada dos operários moscovitas contra a autocracia em Dezembro de 1905. Durante nove dias, os operários – à frente dos quais estavam os bolcheviques de Moscovo – bateram-se heroicamente nas barricadas contra as tropas czaristas. Só a chegada de unidades militares de Petersburgo permitiu o governo reprimir a insurreição. O governo czarista vingou-se dos insurrectos da maneira mais cruel: as barricadas operárias foram submersas em sangue e milhares de operários de Moscovo e arredores foram assassinados.

[2] Os conselhos coligados dos grupos de combate eram formados por representantes do Comité de Moscovo do POSDR, por um grupo de social-democratas de Moscovo, pelo Comité de Moscovo do Partido Socialista-Revolucionário e pelos destacamentos Volnaia Raionnaia, Ouniversitestskaia, Tipografskaia e Kavkaazskaia.

[3] Trata-se da greve geral desencadeada por decisão do Comité de Moscovo do POSDR. Em 20 [7] de Outubro eclodiu uma greve na linha de caminho de ferro Moscovo-Kazan que se estendeu rapidamente a todos os centros industriais da Rússia. Os grevistas, que ultrapassavam 3 milhões, exigem o derrubamento da autocracia, o boicote activo da Duma Boulyguine, a convocação da Assembleia Constituinte e a instauração de uma república democrática. O governo czarista, aterrorizado pelo desenvolvimento do movimento revolucionário apressa-se a consentir algumas concessões. No dia 30 [17] de Outubro o czar publica um manifesto prometendo «liberdades cívicas» e uma «Duma legislativa».

Os bolcheviques desmascararam o carácter demagógico do manifesto do czar e conclamaram o povo para continuar a luta. Os mencheviques e os socialistas-revolucionários, por seu lado, elogiaram o manifesto e exortaram os operários a terminar a greve. O governo czarista, apoiado pela burguesia e aproveitando-se da traição dos mencheviques e dos socialistas-revolucionários passa à ofensiva cobrindo o país com uma onda de perseguições e represálias.

Fazendo uma análise da situação, a Conferência de Moscovo do POSDR decidiu em 4 de Novembro [22 de Outubro], terminar a greve. A greve geral de Outubro demonstrou a grande força do movimento operário, estimulou a luta revolucionária no campo, no exército e na marinha e preparou o proletariado para a insurreição armada de Dezembro.

[4] K. Marx, A luta de classes em França (1848-1850)

[5] Na noite de 21 [8] de Dezembro de 1905, os soldados e a polícia cercaram o jardim Aquarium, na praça Sadovo-Trioum Falnaia, onde decorria um grande comício no local de um teatro. Foi possível evitar uma grande matança graças à abnegação do grupo de vigilância operária. Os que se encontravam armados escaparam por uma abertura de uma vedação, mas os restantes, que saíam pela porta, foram revistados e agredidos, registando-se numerosas prisões.

[6] O local da casa de Fidler era o centro permanente dos comícios e reuniões do Partido. Na noite de 22 [9] de Dezembro, a tropa cercou a casa quando descobriu um comício. Os participantes, entre os quais se encontravam os combatentes dos destacamentos operários, recusaram render-se e barricaram o local. A tropa abriu fogo de artilharia e de metralhadora. Mais de 30 pessoas foram mortas e feridas, tendo sido presas 120.

[7] O regimento da Guarda de Semionovsky foi enviado de Petersburgo para Moscovo em Dezembro de 1905 para reprimir a insurreição dos operários moscovitas.

[8] Esta tese foi várias vezes desenvolvida por Engels nas suas obras em particular no Anti-Dühring.

[9] Lenine refere-se à Introdução de Engels à obra de Marx, A luta de classes em França (1848-1850). Ao ser publicada em 1895 pelos social-democratas alemães, a Introdução foi tergiversada e depois interpretada por eles como uma renúncia à insurreição armada e à luta de barricadas. O texto completo da Introdução, de acordo com o manuscrito de Engels, foi publicado pela primeira vez na URSS

[10] Em Dezembro de 1905, várias cidades da Letónia foram ocupadas por destacamentos armados de operários, assalariados agrícolas e camponeses insurrectos. Foi o início duma guerra de guerrilhas contra as tropas do czar. Em Janeiro de 1906, as insurreições na Letónia foram reprimidas pelas expedições do governo czarista.

[11] Trata-se dos motins nas fortalezas de Sveaborg e de Cronstadt, em Julho de 1906.



publicado por portopctp às 23:58
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