de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Sexta-feira, 28 de Junho de 2013
DISCURSO RADIODIFUNDIDO EM 3 DE JULHO DE 1941

Camaradas! Cidadãos!

Irmãos e irmãs!

Combatentes do nosso exército e na nossa armada!

Dirijo-me a vós meus amigos!

A pérfida agressão militar da Alemanha hitleriana contra a nossa pátria, iniciada em 22 de Junho, continua. Apesar da resistência heróica do Exército Vermelho, e ainda que as divisões de elite do inimigo e as melhores unidades da sua aviação tenham sido já desfeitas e tenham encontrado a morte nos campos de batalha, o inimigo continua a investir, lançando na frente forças novas. As tropas hitlerianas puderam apoderar-se da Lituânia, duma grande parte da Letónia, da parte oeste de Bielorrússia e duma parte da Ucrânia ocidental. A aviação fascista estende a acção dos seus bombardeiros, submetendo a bombardeamento Mourmansk, Orchoa, Moguilev, Smolensk, Kiev, Odessa e Sebastopol. Um grande perigo pesa sobre a nossa Pátria.

Como pôde acontecer que o nosso glorioso Exército Vermelho tenha abandonado às tropas fascistas uma série das nossas cidades e regiões? As tropas fascistas alemãs serão verdadeiramente invencíveis como o proclamam sem cessas e com impaciência os propagandistas fascistas fanfarrões?

Não, evidentemente. A história mostra que jamais existiu ou existem exércitos invencíveis. Dizia-se que o exército de Napoleão era invencível. Mas foi vencido sucessivamente pelas tropas russas, inglesas e alemãs. Durante a primeira guerra imperialista o exército alemão de Guilherme era igualmente considerado como um exército invencível; mas foram-lhe infligidas várias derrotas pelas tropas russas e anglo-francesas e foi finalmente derrotado pelas tropas anglo-francesas. Pode-se dizer o mesmo do actual exército alemão fascista de Hitler. Ele não tinha ainda encontrado séria resistência no continente europeu. Foi somente no nosso território que encontrou uma séria resistência. E se nesta resistência as melhores divisões do exército fascista alemão foram derrotadas pelo nosso Exército Vermelho, é porque o exército fascista hitleriano pode ser igualmente derrotado e sê-lo-á, como foram os exércitos de Napoleão e de Guilherme.

Que uma parte do nosso território se encontre todavia invadida pelas tropas fascistas alemãs, isso explica-se sobretudo pelo facto de que a guerra da Alemanha fascista contra a URSS foi desencadeada em condições vantajosas para as tropas alemãs e desvantajosas para as tropas soviéticas. Com efeito, as tropas da Alemanha, como país provocador fa guerra, tinham sido completamente mobilizadas. Cento e setenta divisões lançadas pela Alemanha contra a URSS e conduzidas até às fronteiras deste país estavam completamente preparadas, esperando apenas o sinal para se porem em marcha. Enquanto que para as tropas soviéticas, era preciso ainda mobilizá-las e conduzi-las até às fronteiras. Coisa muito importante ainda, é que a Alemanha fascista violou pérfida e inopinadamente o pacto de não-agressão, concluído em 1939 por ela com a URSS, sem querer ter em conta que seria olhada pelo mundo inteiro como o agressor. Compreende-se que o nosso país pacífico, que não queria assumir a iniciativa da violação do pacto, não podia conduzir-se nesse caminho da traição.

Podemos interrogar-nos: como pôde suceder que o Governo soviético tenha aceitado concluir um pacto de não-agressão com traiçoeiros dessa natureza e monstros como Hitler e Ribbentrop[1]? Não teria o Governo soviético cometido um erro nessa ocasião? Não, com certeza. O pacto de não-agressão é um pacto de paz entre dois Estados. E foi um pacto desse género que a Alemanha nos propôs em 1939. Podia o Governo soviético recusar essa proposta? Penso que nenhum Estado pacífico pode recusar um acordo de paz com uma potência vizinha, mesmo se à cabeça desta última se encontram monstros e canibais como Hitler e Ribbentrop. Isto, bem entendido, tem uma condição expressa: que o acordo de paz não cause prejuízo, nem directa nem indirectamente, à integridade territorial, à independência e ao respeito do Estado pacífico. Sabemos que o pacto de não-agrassão entre a Alemanha e a URSS era justamente um pacto desse género.

Que ganhamos ao concluir com a Alemanha um pacto de não-agressão? Asseguramos ao nosso país a paz durante o ano e meio e a possibilidade de preparar as nossas forças para a réplica no caso da Alemanha fascista se aventurar a atacar o nosso país não obstante o pacto. Estava aí um certo proveito para nós e uma perda para a Alemanha fascista.

O que é que a Alemanha fascista ganhou e o que perdeu, rompendo perfidamente o pacto e atacando a URSS? Obteve assim uma certa vantagem para as suas tropas durante um pequeno lapso de tempo, mas perdeu sob o ponto de vista político, desmascarando-se aos olhos do mundo como um agressor sangrento. Está fora de dúvida que esta vantagem militar de curta duração apenas é para a Alemanha um episódio, enquanto que essa imensa vantagem política é para a URSS um factor real e duradoiro, chamado a favorecer os sucessos militares decisivos do Exército Vermelho na guerra contra a Alemanha fascista.

Eis a razão pela qual o nosso corajoso exército, toda a nossa corajosa força naval, todos os nossos intrépidos aviadores, todos os povos do nosso país, todos os melhores homens da Europa, da América e da Ásia, enfim, todos os melhores homens da Alemanha, condenam a acção pérfida dos fascistas alemães e simpatizam com o governo soviético, aprovam a conduta do governo soviético e apercebem-se de que a nossa causa é justa, que o inimigo será esmagado e que nós venceremos.

Tendo-nos sido imposta a guerra, o nosso país entrou numa luta de morte com o seu pior e pérfido inimigo, o fascismo alemão. As nossas tropas batem-se heroicamente contra um inimigo abundantemente provido de carros de assalto e de aviões. O Exército e a Armada Vermelhos, superando numerosas dificuldades, batem-se com abnegação por cada parcela do território soviético. As principais forças do Exército Vermelho, dotadas de milhares de carros e de aviões, entram em acção. A valentia dos guerreiros do Exército Vermelho não tem igual. A réplica que nós infligimos ao inimigo acentua-se e desenvolve-se. Ao lado do Exército Vermelho, todo o povo soviético se prepara para a defesa da pátria.

Que é preciso fazer para suprimir o perigo que pesa sobre a nossa pátria e quais as medidas que é preciso tomar para esmagar o inimigo?

Primeiramente é preciso que os nossos homens, os homens soviéticos, compreendam toda a gravidade do perigoo que ameaça o nosso país e renunciem à quietude e à indiferença, ao estado de espírito que é o da construção pacífica, estado de espírito perfeitamente compreensível antes da guerra, mas funesto agora que a guerra mudou radicalmente a situação. O inimigo é cruel, inexorável. Ele tem por objectivo apoderar-se das nossas terras regadas com o nosso suor, apoderar-se do nosso trigo e do nosso petróleo, fruto do nosso trabalho. Ele tem por objectivo restabelecer o poder dos grandes latifundiários, restaurar o czarismo, destruir a cultura e a independência nacionais dos Russos, Ucranianos, Bielorrussos, Moldavos, Georgianos, Arménios, Azerbaidjanianos  e outros povos livres da União Soviética, de os germanizar, de os fazer escravos dos príncipes e barões alemães. Trata-se da liberdade ou da servidão dos povos da União Soviética. É preciso que os homens soviéticos o compreendam e deixem de ficar indiferentes; que se mobilizem e reorganizem todo o seu trabalho dum modo novo, o modo da guerra, que não dêem nenhumas tréguas ao inimigo.

É preciso também que não haja nenhum lugar nas nossas fileiras para os choramingas e os poltrões, os semeadores do pânico e os desertores; que os nossos homens estejam livres de medo na luta e marchem com abnegação na nossa guerra libertadora para a salvação da pátria, contra os dominadores fascistas. O grande Lenine, que criou o nosso Estado, disse que a qualidade essencial dos homens soviéticos deve ser a coragem, a valentia, a ousadia na luta, a vontade de se bater ao lado do povo contra os inimigos da nossa pátria. É preciso que essa excelente qualidade bolchevique se torne a de milhões e milhões de homens do Exército Vermelho, da nossa Armada Vermelha e de todos os povos da União Soviética.

É preciso organizar imediatamente todo o trabalho em pé de guerra, subordinando todas as coisas aos interesses da frente e à organização do esmagamento do inimigo. Os povos da União Soviética vêem agora que o fascismo alemão é inexorável na sua raiva furiosa e no seu ódio contra a nossa pátria que assegura a todos os trabalhadores o trabalho livre e o bem-estar. Os povos da União Soviética devem preparar-se contra o inimigo para a defesa dos seus direitos, da sua terra.

O exército e a Armada Vermelhos, bem como todos os cidadãos da União Soviética, devem defender cada parcela do território soviético, bater-se até à última gota do seu sangue pelas nossas cidades e aldeias, dar provas de coragem, de iniciativa e de espírito de resolução – todas as qualidades próprias do nosso povo.

É-nos necessário organizar uma ajuda múltipla ao nosso Exército Vermelho, fazer com que as suas fileiras engrossem sem cessar, assegurar-lhe o abastecimento necessário, organizar o transporte rápido das tropas e dos materiais de guerra, prestar um amplo socorro aos feridos.

É-nos necessário fortalecer a retaguarda do Exército Vermelho, subordinando a esta tarefa todo o nosso trabalho; assegurar o intenso funcionamento de todos os empreendimentos, fabricar o maior número de espingardas, metralhadoras, canhões, balas, obuses, aviões; organizar a protecção das fábricas, das centrais eléctricas, das comunicações telefónicas e telegráficas,  organizar no próprio local a defesa antiaérea.

É-nos necessário organizar uma luta implacável contra os desorganizadores da retaguarda, os desertores, os semeadores do pânico, os propagadores de boatos de todos os géneros, aniquilar os espiões, os agentes de diversão, os pára-quedistas inimigos, prestando assim uma ajuda rápida aos nossos batalhões de caça. É preciso não esquecer que o inimigo é pérfido, astucioso, esperto na arte de enganar e de espalhar falsos boatos. É preciso ter em conta tudo isto e não se deixar apanhar pela provocação. É preciso citar imediatamente perante o Tribunal Militar, sem consideração às personalidades, todos aqueles que, semeando o pânico e dando provas de cobardia, entravam a obra da defesa.

Em caso de retirada forçada das unidades do Exército Vermelho, é preciso conduzir todo o material circulante dos caminhos de ferro, não deixar ao inimigo uma só locomotiva, nem um só vagão; não deixar ao inimigo um só quilograma de trigo, nem um litro de carburante. Os kolkhosianos devem apanhar todo o seu gado, entregar o seu trigo em depósito aos organismos de Estado, que o encaminharão para as regiões da retaguarda. Todas as matérias de valor, incluindo os metais não ferrosos, o trigo e o carburante que não possam ser evacuados, devem ser completamente destruídos.

Nas regiões ocupadas pelo inimigo, é preciso formar destacamentos de guerrilheiros de cavalaria e infantaria, grupos de destruição para lutar contra as unidades do exército inimigo, para fomentar a guerrilha em todos os sítios, para fazer ir pelos ares as pontes e as estradas, danificar as comunicações telefónicas e telegráficas, incendiar as florestas, os depósitos e os comboios. Nas regiões invadidas é preciso criar condições insuportáveis ao inimigo e a todos os seus colaboradores, persegui-los e destruí-los a cada passo, fazer abortar todas as medidas tomadas pelo inimigo.

Não podemos considerar como uma guerra vulgar a guerra contra a Alemanha fascista. Não é apenas uma guerra que se trava entre dois exércitos. É também a grande guerra de todo o povo soviético contra as tropas fascistas alemãs. Esta guerra do povo para a salvação da pátria, contra os opressores fascistas, não tem apenas por objecto suprimir o perigo que pesa sobre o nosso país, mas ainda ajudar todos os povos da Europa que sofrem sob o jugo do fascismo alemão. Não estaremos sós nesta guerra libertadora. Os nossos fiéis aliados nesta grande guerra são os povos da Europa e da América, incluindo o povo alemão que está dominado pelos chefes hitlerianos. A nossa guerra para a liberdade da nossa pátria fundir-se-á com a luta dos povos da Europa e da América pela sua independência, pelas liberdades democráticas. Esta será a frente única dos povos que lutam pela liberdade contra a escravidão e a ameaça de escravidão por parte dos exércitos fascistas de Hitler. Sendo assim, o discurso histórico pronunciado pelo primeiro-ministro da Grã-Bertanha, M. Churchill, sobre a ajuda a prestar à União Soviética, e a declaração do governo dos Estados Unidos dizendo-se prestes a conceder toda a assistência ao nosso país, não podem suscitar senão um sentimento de reconhecimento no coração dos povos da União Soviética; esse discurso e essa declaração são perfeitamente compreensíveis e significativos.

Camaradas, as nossas forças são incalculáveis. O inimigo presunçoso convencer-se-á disso brevemente. Ao lado do Exército Vermelho erguem-se milhares de operários, de kolkhosianos e de intelectuais pela guerra contra o agressor. Veremos levantarem-se as massas inumeráveis do nosso povo. Desde já, os trabalhadores de Moscovo e de Leninegrado, para apoiar o Exército Vermelho, começaram a organizar uma milícia popular fortalecida por milhares e milhares de homens. Essa milícia popular, é preciso criá-la em cada cidade que corre perigo de uma invasão inimiga; á preciso preparar para a luta todos os trabalhadores, que exporão os seus peitos para defender a sua liberdade, a sua honra e o seu país na nossa guerra contra o fascismo alemão, para a salvação da pátria.

A fim de mobilizar rapidamente todas as forças dos povos da URSS, com vista a organizar a réplica ao inimigo que atacou perfidamente a nossa pátria, foi formado um Conselho de Estado para a Defesa, que detém actualmente a plenitude do poder no país. O Comité de Estado para a Defesa começou o seu trabalho; ele apela a todo o povo a unir-se em torno do Partido de Lenine e de Estaline, em torno do Governo Soviético, para apoiar com abnegação o Exército e a Armada Vermelhos, esmagar o inimigo e alcançar a vitória.

Todas as nossas forças para o apoio do nosso heróico Exército Vermelho, da nossa gloriosa Armada Vermelha!

Todas as forças do povo para esmagar o inimigo!

Em frente para a nossa vitória!



[1] Ribbentrop (1893-1946) inscreveu-se no partido nazi em 1932. Foi embaixador em Londres em 1936. Orientou a política expansionista de Hitler, desempenhado um importante papel na aproximação com a Itália. Em 23 de Agosto de 1939 assinou em Moscovo o acordo germano-soviético. Considerado um dos responsáveis pela segunda guerra mundial foi executado após o julgamento de Nuremberga.



publicado por portopctp às 15:08
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