de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Sábado, 21 de Dezembro de 2013
Que viva Estaline!

1 -- O DIA 5 de março do próximo ano de 1973 marca o vigésimo aniversário da morte do grande Estaline.

É com o mais profundo respeito pelo eminente camarada J. V. Estaline que a classe operária portuguesa, os marxistas-leninistas, o proletariado e os povos revolucionários de todo o mundo vivem essa data, exprimem a sua imensa dor pela perda de um dos seus maiores líderes e assumem a determinação inabalável de lutar, seguindo o caminho, o exemplo e a bandeira de Estaline, até à vitória final.

2 -- ESTALINE foi, após a morte de Marx, de Engels e de Lenine, o grande dirigente do movimento comunista internacional, o grande educador do proletariado e dos povos oprimidos do mundo inteiro.

Estaline salvaguardou, desenvolveu e continuou a causa do leninismo na luta sem quartel contra os inimigos de classe, tanto do interior como do exterior da União Soviética, e contra os oportunistas de direita e de «esquerda» no seio do Partido Bolchevique.

3 -- FOI sob a direcção de Estaline que o povo soviético avançou vitoriosamente na via do socialismo e erigiu o primeiro Estado socialista do mundo;

Foi sob a direcção de Estaline que o povo soviético pôs de pé uma formidável indústria pesada e realizou a colectivização da agricultura;

Foi sob a direcção de Estaline que o povo soviético, fazendo prova dum heroísmo lendário, se tornou, durante a Segunda Guerra Mundial, o principal obreiro da vitória sobre a agressão fascista e nazi e obteve magníficos sucessos que ficarão para sempre imortais na história da humanidade;

Foi sob a direcção de Estaline que o povo soviético transformou a sua pátria, relativamente atrasada do ponto de vista do desenvolvimento económico, numa força colossal;

Foi sob a direcção de Estaline que se criou o poderoso campo socialista.

4 -- AINDA em vida do grande J. V. Estaline, o camarada Mao Tsé-tung, aplicando a teoria marxista-leninista, resolveu de maneira criadora os problemas fundamentais da revolução chinesa e dirigiu o povo chinês nas lutas e guerras evolucionárias mais longas, mais encarniçadas, mais duras e mais complexas da história da revolução mundial proletária e conduziu a revolução popular à vitória num grande país do Oriente, como é a China. Essa é a maior vitória da revolução mundial proletária, depois da revolução de Outubro.

5 -- A HISTÓRIA, porém, é plena de vicissitudes; e o caminho da Revolução não é nem recto nem plano, mas sinuoso, semeado de obstáculos, cheio de curvas e contracurvas.

É assim que hoje – 55 anos após o triunfo da grande Revolução Socialista de Outubro; 50 anos após a fundação da grande União Soviética e 20 anos após a morte do grande Estaline – é assim ­que hoje, o proletariado e o povo soviético, explorados, amordaçados e oprimidos, espoliados de todas as suas conquistas revolucionárias, assumem a determinação de celebrar Estaline, ainda que o tenham de fazer, tal como o proletariado e o povo português, nas condições de uma luta ilegal e clandestina.

6 -- NO XX CONGRESSO do Partido Comunista da União Soviética, que se realizou em Fevereiro de 1956, o grupo de Krouchtchev, após três anos de preparativos, lançou um violento ataque de surpresa contra os princípios fundamentais do marxismo-leninismo e contra a linha geral marxista-leninista seguida pelo Partido Comunista da União Soviética sob a direcção de Estaline.

7 -- RECORRENDO às invenções e calúnias mais torpes e baseando-se em «documentos» e declarações de elementos hostis ao socialismo, Krouchtchev, através do seu famigerado «relatório secreto» – que ele, em breve, faria chegar discretamente às mãos da CIA, para que o publicasse! – Krouchtchev denegria a via gloriosa seguida pelo Partido Bolchevique depois da morte de Vladimir Ilitch Lenine, definindo-a como uma via «esmaltada de erros, de graves alterações e de crimes monstruosos».

Ao mesmo tempo, atribuía a Estaline a responsabilidade desses pretensos erros, crimes e alterações, acusando-o de «arbitrariedade feroz», de «ruptura com a vida e a realidade», etc., e qualificando-o, entre outras injúrias, de «déspota», de «terrorista» e de «inculto». Enquanto isto, Krouchtchev expulsara e encarcerara os autênticos quadros bolcheviques do Partido e reabilitava os inimigos do regime socialista, já condenados como agentes notórios do imperialismo.

8 -- ANALISANDO este pérfido ataque de Krouchtchev, numa altura em que a verdadeira face deste renegado apenas começava a desenhar-se à luz do dia, o camarada Mao Tsé-tung indicou duma maneira penetrante, na sua Alocução perante a Segunda Sessão Plenária do Comité Central do Partido Comunista da China, em 15 de Novembro de 1956: «Na minha opinião há duas “espadas”: uma é Lenine, e a outra é Estaline. Essa espada que é Estaline, os russos rejeitaram-na agora. Essa espada que é Lenine não foi também algo rejeitada por certos dirigentes soviéticos? Penso que ela o foi em larga medida».

9 -- DE FACTO, o XX Congresso e o «relatório secreto» constituem o último acto, o coroamento dum golpe de Estado contra-revolucionário preparado desde a morte de Estaline, golpe que transformou a ditadura do proletariado em ditadura da burguesia e que, substituindo o socialismo, restaurou o capitalismo na União Soviética.

Krouchtchev – um responsável que, dissimulado no seio do partido Comunista da União Soviética, seguia a via capitalista – é, conjuntamente com outros elementos revisionistas, o executor-chefe deste golpe, pelo qual a burguesia logrou usurpar a direcção do Partido e do Estado soviéticos.

10 -- DO PONTO de vista da luta de classes ao nível mundial e, nomeadamente, no que concerne à contradição que opõe os países socialistas aos países imperialistas, a restauração do capitalismo e da ditadura da burguesia na União Soviética, representa uma derrota temporária para as forças do socialismo e uma vitória, também temporária, para as forças do imperialismo e da reacção.

O proletariado, porém, instruído pelos erros e reveses do passado e orientado pela doutrina sempre jovem do marxismo-leninismo, está apto a criar as condições que transformam uma derrota passageira numa vitória duradoira e de significado ainda maior.

11 -- O OBJECTIVO confessado do imperialismo em relação ao País dos Sovietes sempre foi, desde o triunfo da grande Revolução Socialista de Outubro, o de destruir aí a ditadura do proletariado e restaurar a ditadura do capital. Para alcançar este objectivo, os imperialistas começaram por seguir uma política de intervenção e agressão militar directas.

Mas a União Soviética, sob a direcção de Lenine e de Estaline, era uma fortaleza inexpugnável. Nem a intervenção armada de catorze países, nem a rebelião da guarda branca, nem os ataques de milhões de soldados das hordas hitlerianas, nem as inumeráveis sabotagens e tentativas de subversão, nem o bloqueio e cerco dos imperialistas foi capaz de tomar essa fortaleza.

12 -- O TERMO da Segunda Grande Guerra trouxe uma modificação radical na relação de forças no mundo, com vantagem para o socialismo. As contradições entre o campo imperialista e reaccionário, por um lado, e o campo socialista e democrático, por outro, agudizaram-se como nunca.

A União Soviética, a despeito de ter sofrido perdas humanas e materiais mais pesadas do que qualquer outro país, saiu, todavia, daquela guerra politicamente e militarmente mais poderosa. A sua autoridade e o seu prestígio internacional haviam-se acrescido consideravelmente.

O objectivo final do imperialismo – agora capitaneado pelo imperialismo americano – continuou a ser o mesmo de sempre em relação aos países socialistas e, em particular, em relação à União Soviética.

13 -- PORÉM, o camarada Mao Tsé-tung, fazendo o balanço da situação mundial à saída da Segunda Grande Guerra e analisando a política do imperialismo, afirmou, numa entrevista concedida em Agosto de 1946: «Os Estados Unidos e a União Soviética estão separados por uma zona muito vasta, que engloba numerosos países capitalistas, coloniais e semi-coloniais na Europa, na Ásia e na África. Enquanto os reaccionários americanos não tiverem submetido estes países, um ataque contra a União Soviética está fora de questão».

E, na verdade, o imperialismo americano servia-se da «cruzada» anti-soviética como duma cortina de fumo, atrás da qual ia agredindo e submetendo os povos da vasta zona intermédia.

14 -- AO MESMO TEMPO que punha em prática esta linha de agressão e sujeição económica, política e militar, o imperialismo mundial, após a morte de Estaline, prosseguiu na União Soviética uma política de «evolução pacífica» por intermédio da clique dos renegados revisionistas, julgando assim poder escapar à sua perda.

O golpe de Estado contra-revolucionário de Krouchtchev e respectiva camarilha constitui o coroamento desta política imperialista de «evolução pacífica».

Tal como Estaline disse – na história do Partido Comunista (bolchevique) da URSS –, «é do interior que mais facilmente se tomam as fortalezas». E, de facto, o golpe de Krouchtchev desempenhou um papel que os imperialistas, por si sós, não podiam nunca desempenhar.

15 -- COMO é que o capitalismo pôde ser restaurado na União Soviética, primeiro Estado socialista do mundo?

É à luz do maoísmo – o marxismo-leninismo da nossa época, da época em que o imperialismo se precipita para a ruína total e o socialismo avança para a vitória no mundo inteiro –, é à luz do maoísmo que devemos examinar e resolver esta e outras questões de transcendente importância e actualidade para a classe operária de todos os países.

O camarada Mao Tsé-tung procedeu a um balanço completo da experiência histórica da ditadura do proletariado nos seus aspectos positivos e negativos, herdou, defendeu e desenvolveu a teoria marxista-leninista da revolução proletária e da ditadura do proletariado, formulou a grande teoria da continuação da revolução sob a ditadura do proletariado e resolveu, assim, teórica e praticamente, o mais importante problema da nossa época, a saber: a consolidação da ditadura do proletariado e a prevenção da restauração do capitalismo, de modo a levar até ao fim a revolução proletária.

16 -- «A SOCIEDADE socialista estende-se por um assaz longo período histórico, no decurso do qual continuam a existir classes, contradições de classes e luta de classes, da mesma maneira que a luta entre a via socialista e a via capitalista e bem assim o perigo duma restauração do capitalismo» – disse o camarada Mao Tsé-tung em 1962.

Na sociedade socialista também o centro da luta de classes continua a ser a questão do poder político. A este respeito, o camarada Mao salientou: «Os representantes da burguesia que se infiltraram no Partido, no governo, no exército e nos diferentes sectores do domínio cultural, constituem uma súcia de revisionistas contra-revolucionários. Se a ocasião se lhes apresentasse, eles arrancariam o poder e transformariam a ditadura do proletariado em ditadura da burguesia».

17 -- É ASSIM QUE, na União Soviética, mesmo após a revolução de Outubro que arrancou o poder à burguesia e instaurou o poder proletário, as classes, as contradições de classes e a luta de classes não deixaram nunca de existir.

Tanto no tempo de Lenine como no tempo de Estaline, essa luta de classes sob a ditadura do proletariado assumiu, por vezes, formas extremamente encarniçadas. Um certo número de elementos contra-revolucionários, representantes da burguesia destronada e do imperialismo, infiltrou-se no seio do Partido Bolchevique e na direcção do Estado soviético e procedia aí a toda uma espécie de preparativos e de manobras no sentido de – tal como Lenine o havia previsto em «A Revolução Proletária e o Renegado Kaustsky» – transformar a «esperança duma restauração» do capitalismo em «tentativas de restauração».

18 -- É CERTO que o glorioso Partido Bolchevique, sob a direcção do camarada Estaline, eliminou pronta e resolutamente os principais representantes dessa camarilha contra-revolucionária, tais como Trostsky, Zinoviev, Kamenev, Bukarine e Rykov.

Todavia a União Soviética, porque era o primeiro país de ditadura do proletariado, não dispunha ainda de suficiente experiência para resolver correcta e completamente, tanto do ponto de vista teórico como do ponto de vista prático, a magna questão de saber consolidar a ditadura do proletariado, prevenir a restauração do capitalismo e levar a revolução socialista até ao fim.

Foi nestas circunstâncias que Krouchtchev e respectiva clique revisionista lograram, após a morte de Estaline, usurpar a direcção do Partido e do Estado e converter as suas esperanças de restauração do capitalismo em realidade de facto.

19 -- MAS a classe operária aprende tanto com as suas derrotas como com as suas vitórias e, num certo sentido, aprende mesmo mais com os seus reveses do que com os seus êxitos.

Extraindo as lições da História, o maoismo ensinou aos operários de todos os países que, para consolidar a ditadura do proletariado e prevenir a restauração do capitalismo, a classe operária deve fazer a revolução socialista tanto na frente económica como na frente política, ideológica e cultural e exercer em toda a linha uma ditadura sobre a burguesia também nos domínios da superestrutura, incluindo os vários sectores da cultura.

20 -- POR OUTRO LADO, na continuação da revolução sob a ditadura do proletariado é absolutamente indispensável que, não apenas os militantes e quadros do partido, mas também as amplas massas do povo assimilem o marxismo-leninismo-maoísmo e saibam manejar eles próprios essa arma poderosíssima, de modo a serem capazes de distinguir por si mesmos o certo do errado, a linha revolucionária da linha revisionista, a via socialista da via capitalista, o verdadeiro marxismo-leninismo-maoísmo do pseudo «marxismo-leninismo-maoísmo» – e isto para garantir que o país avance sempre pela linha revolucionária.

21 -- A GRANDE Revolução Cultural Proletária, iniciada e dirigida pessoalmente pelo camarada Mao Tsé-tung, representou uma nova etapa, ainda mais profunda e mais ampla, do desenvolvimento da revolução socialista na China. Porém, a sua significação não é meramente local, mas verdadeiramente universal. A Grande Revolução Cultural Proletária da China constitui uma aplicação e confirmação práticas, de transcendente significado histórico, da correcção e verdade científicas das brilhantes teses do camarada Mao Tsé-tung para todo o período em que durar a ditadura do proletariado.

22 -- APÓS o golpe de Estado contra-revolucionário da camarilha dos renegados revisionistas soviéticos, Krouchtchev, ao mesmo tempo que se dedicava à tarefa interna de consolidar o poder político e económico da burguesia soviética, procura impor aos demais partidos comunistas as teses peçonhentas e anti-proletárias aprovadas no XX Congresso do PCUS.

Para este efeito, Krouchtchev contava beneficiar tanto do efeito de surpresa com que tinha desferido o seu golpe, como do imenso caudal de simpatia, prestígio e autoridade de que justamente gozavam o Partido Bolchevique e a União Soviética sob a direcção de Lenine e Estaline.

23 -- CONTUDO, os verdadeiros comunistas de todos os países não se deixaram colher pela surpresa do ataque de Krouchtchev nem se atemorizaram com o facto de terem de desmascarar os traidores infiltrados no glorioso partido de Lenine e Estaline.

A tarefa inadiável que se colocou aos verdadeiros comunistas de todo o mundo, no seio do Movimento Comunista Internacional e no seio dos seus próprios partidos, era a de salvaguardar e continuar o marxismo-leninismo e combater com determinação o revisionismo da renegada camarilha soviética. Ao fazê-lo, os marxistas-leninistas de todos os países prestavam – e prestaram – um sincero, internacionalista e fraternal apoio ao proletariado e ao povo soviéticos.

24 -- O PARTIDO do Trabalho da Albânia, dirigido pelo camarada Enver Hoxha e o Partido Comunista da China, sob a direcção do camarada Mao Tsé-tung constituíram desde logo a vanguarda do proletariado mundial nesta batalha histórica contra o revisionismo moderno.

Daí para cá, os êxitos obtidos pela linha revolucionária marxista-leninista são magníficos e a situação actual é excelente. O carácter e a natureza de classe reaccionária do revisionismo, do social-fascismo e do social-imperialismo foi posto a nu aos olhos das massas trabalhadoras de todo o mundo. O isolamento da renegada camarilha revisionista soviética, bem como das suas agências no estrangeiro, é absolutamente irreversível.

25 -- SIMULTANEAMENTE reforçou-se como nunca a frente mundial anti-imperialista, com a China como base vermelha da Revolução; alcançou-se uma unidade nova e superior no seio do movimento comunista internacional, na base dos princípios e dos métodos do marxismo-leninismo-maoísmo; fortaleceu-se o poder político, económico e militar do conjunto dos países socialistas.

Por outro lado, em todos os países existem já, ou estão em vias de constituir-se, autênticos partidos revolucionários do proletariado, partidos fiéis ao marxismo-leninismo e dignos da Grande Revolução Cultural Proletária. E isto, inclusive, no próprio país social-imperialista.

26 -- VIMOS, portanto, que em relação aos genuínos partidos comunistas, marxistas-leninistas, as teses revisionistas do XX Congresso não conseguiram penetrar. Tais teses contra-revolucionárias não só foram firmemente recusadas pelos autênticos partidos comunistas como, em resultado do combate puro que foi necessário opor-lhes, acabaram por fortalecer ainda mais as suas fileiras.

Contudo, em relação a certos partidos ditos comunistas o mesmo não se verificou. Esses partidos não só não combateram, no mínimo que fosse, o «novo curso» revisionista, como se apressaram até a exibir imediatamente nas suas próprias montras a «nova» encomenda despachada de Moscovo.

No número destes últimos, conta-se o chamado Partido Comunista Português.

27 -- POR CONSEGUINTE, em relação à mercadoria revisionista posta à venda no XX Congresso do PCUS pelo magarefe Krouchtchev, os diversos partidos comunistas existentes dividiram-se em dois grupos radicalmente antagónicos: o grupo dos que consideram a mercadoria excelente e se fizeram dela clientes e revendedores, a retalho e por grosso; e o grupo dos que consideram, muito justamente, que jamais se deveria deixar passar semelhante mercadoria na alfândega do proletariado e que, portanto, era seu dever queimá-la na praça pública.

Ao primeiro grupo pertence – entre outros – o Partido dito Comunista Português.

28 -- É EVIDENTE que a atitude que adoptaram face ao revisionismo destilado no XX Congresso e a posição que tomaram na luta que subsequentemente se travou serviam, antes e além de mais, para revelar na prática quais os partidos comunistas que tinham e seguiam uma linha proletária e quais os partidos que, embora sob o nome de comunistas, tinham e seguiam já uma linha burguesa e reaccionária.

De facto, não foi por terem «comprado» a mercadoria vendida no XX Congresso que os partidos do tipo do Partido «Comunista» Português se transformaram em revisionistas. Ao contrário – foi porque os partidos do tipo do Partido «Comunista» Português tinham já há muito degenerado em partidos revisionistas que eles se apressaram a «comprar» a mercadoria vendida no XX Congresso.

29 -- SÃO duas coisas radicalmente diferentes no seu significado e alcance, tanto teórico como prático: uma, o dizer-se que o Partido «Comunista» Português se tornou revisionista, porque adoptou as teses do XX Congresso; outra, o dizer-se que ele adoptou as teses do XX Congresso porque já era revisionista.

Como são duas coisas completamente distintas no seu significado e alcance, tanto teórico como prático: uma, o determinar o momento em que um partido comunista – supondo que o P«C»P alguma vez o fosse – se transformou em revisionista; outra, o determinar o momento em que os comunistas tomaram consciência dessa transformação.

É óbvio que entre os dois momentos – o da transformação objectiva e o momento do conhecimento subjectivo dessa transformação – pode mediar um intervalo de tempo maior ou menor.

30 -- A IMPORTÂNCIA prática desta questão liga-se ao problema das cisões que tiveram lugar no seio dos antigos partidos comunistas, cujas direcções se mantiveram fiéis à súcia dos renegados revisionistas soviéticos.

Assim que os marxistas-leninistas dos respectivos países se tornaram conscientes do triunfo político, ideológico e organizativo do revisionismo nos seus próprios partidos; e uma vez que se aperceberam de que a ruptura com o revisionismo era não só inevitável como imprescindível para poder fazer-se a revolução e construir o socialismo – a reorganização do Partido do Proletariado passou a ser para eles um dever inadiável e a sua tarefa central.

31 -- MAS para começar e executar a tarefa urgente da reorganização do partido, os elementos mais conscientes e avançados do proletariado têm de definir, previamente e no fundamental, duas coisas: a linha política, ideológica e organizativa que deve presidir à reorganização; e a demarcação clara dos marxistas-leninistas face aos revisionistas do antigo partido.

Para obter esta demarcação clara é indispensável determinar o momento a partir do qual o antigo partido comunista se transformou objectivamente no seu contrário, isto é, num partido revisionista moderno; e, além disso, encontrar as causas e as condições que explicam essa transformação.

32 -- ISTO implica que toda a teoria e a prática passadas do antigo partido comunista sejam submetidas a uma análise materialista e a uma crítica em termos marxistas-leninistas.

Mas a crítica ao antigo partido comunista, na medida em que é encabeçado por elementos marxistas-leninistas saídos do seu seio, é absolutamente indissociável da auto-crítica desses mesmos elementos – os quais são também responsáveis pela transformação revisionista que se operou no partido onde sempre militaram.

33 -- EM ALGUNS países, porém – como são os casos de Portugal e da Itália, por exemplo – os elementos que, membros do antigo partido comunista tomaram a seu cargo a tarefa de reorganizar as fileiras dos marxistas-leninistas, não foram capazes, por virtude do oportunismo a que se atasquinhavam, de levar até às últimas consequências a análise crítica e a auto-crítica que se impunham.

A moral da história é a de que, nas fileiras de um partido revisionista, até os elementos anti-revisionistas estão marcados com o selo do revisionismo.

34 -- AGARRARAM-SE, então, esses elementos a uma suprema mistificação, através da qual julgaram poder escamotear aos olhos das massas a quota-parte de responsabilidade pesada e própria que tiveram no processo de degenerescência revisionista do «seu» partido.

Essa mistificação ideológica consistiu em considerarem que o antigo partido comunista – do qual sempre fizeram parte e com o qual sempre estiveram em «coexistência pacífica» – se transformara em partido revisionista, no momento em que eles tiveram consciência da dita transformação.

35 -- COLOCADAS as coisas neste pé, eles apenas teriam de «auto-criticar-se» pelo facto de não terem tido mais cedo consciência do fenómeno. Mas é evidente que esta pseudo-auto-crítica é um verdadeiro auto-elogio, na medida em que, ainda assim e apesar de tudo, eles teriam sido os primeiros a aperceberem-se do mal… As massas não tinham mais do que renderem-se à «clarividência desses líderes, ainda que pensassem lá para si que em terra de cegos quem tem um olho é rei!

Para que aquela mistificação tivesse uma certa aparência de verdade, faltava ainda explicar o seguinte: qual a causa, ou as causas reais da transformação meteórica do partido comunista em partido revisionista?

36 -- AQUI, esses elementos «marxistas-leninistas» vêem-se apanhados na sua fraude ideológica. E, para esconde-la, recorrem a uma segunda fraude, verdadeiramente delirante. Ouçamos a «explicação» da confraria neo-revisionista:

«O Partido Comunista cessara de existir como tal em 1956».

Então porquê? – perguntamos nós. E esses pândegos da lúmpen-emigração, baralhando a mão direita com a mão esquerda, confundindo o branco com o preto e a causa com o efeito, respondem-nos: por virtude de «o afastamento por doença do camarada José Gregório» e do «advento do revisionismo na URSS» – Informe ao V Congresso (Reconstitutivo) do P «C» de P, pág. 18 .

37 -- EM RELAÇÃO ao processo de desenvolvimento do Partido dito Comunista Português, o triunfo do revisionismo na União Soviética e o afastamento por doença do «camarada» José Gregório, têm o carácter de factores externos e funcionam apenas como tal, quer dizer, funcionam apenas nessa qualidade de factores ou causas externas.

Por maior que seja a sua importância e alcance, esses factores só podem exercê-los no processo de desenvolvimento e transformação do partido dito comunista através de causas internas. O que é essencial é encontrar estas causas internas, sendo absolutamente secundário – embora necessário – o conhecimento dos factores externos.

38 -- TODOS os marxistas-leninistas sabem que «a causa fundamental do desenvolvimento dos fenómenos não é externa, mas interna; ela reside no contraditório do interior dos próprios fenómenos». E sabem que as causas externas «são apenas capazes de provocar o movimento mecânico dos fenómenos, isto é, modificações de volume, de quantidade, não podendo explicar porque os fenómenos são duma diversidade qualitativa infinita, a razão por que passam duma qualidade a outa» (da Contradição).

Nesse sentido, tanto o triunfo do revisionismo na União Soviética exerceu uma influência indirecta no processo de degenerescência dos velhos partidos comunistas, como a degerenescência dos velhos partidos comunistas exerceu uma influência indirecta no triunfo do revisionismo na União Soviética.

39 -- O NOSSO movimento foi o primeiro – e o único – a proceder a um balanço crítico do conjunto, na base dos princípios e métodos do marxismo-leninismo-maoismo, dos cinquenta anos de actividade do Partido «Comunista» Português (ver Bandeira Vermelha n.º 1) – cumprindo assim, no essencial, uma das condições necessárias e prévias à reorganização das hostes comunistas nas condições concretas da revolução em Portugal.

A conclusão geral extraída desse balanço é a seguinte: o Partido «Comunista» Português, a despeito do nome que desde o princípio ostentou, seguiu, ao longo da sua história e no fundamental, sempre uma linha oportunista e não uma verdadeira linha marxista-leninista. Em certos momentos episódicos, sob pressão de sua base operária, do movimento de massas e do movimento comunista internacional, viu-se forçado a fazer certas concessões ao proletariado e ao povo, sempre sem revelar qualquer disposição prática de as cumprir e renegando-as na próxima oportunidade.

40 -- A CISÃO da confraria neo-revisionista não tem, por conseguinte, o carácter e a natureza duma ruptura entre o marxismo-leninismo-maoísmo e o revisionismo moderno, mas o carácter e a natureza duma divisão no seio do próprio revisionismo. Eles são os neo-revisionistas, na nossa terminologia, e para os «distinguir» do revisionismo cunhalista. Eles são os Breszhnev, enquanto Cunhal é o Krouchtchev. Ou doutra maneira: eles são, em Portugal, os Liou Chao Chis da China.

A cisão dessa gentalha com o cunhalismo é a tentativa de perpetuar, sob novas vestes, o velho revisionismo. Por outro lado, a cisão dessa gentalha constitui o começo da desagregação do partido revisionista.

41 -- QUANTO ao nosso Movimento, as divergências que o opõem ao partido cunhalista e a todos os seus filhos e netos são absolutamente inconciliáveis e antagónicas. Não se trata de divergências meramente tácticas ou sequer estratégicas, mas ideológicas e fundamentais. Nestes termos, o nosso Movimento propõe-se à organização dum novo Partido sobre a base dos princípios e métodos do marxismo-leninismo-maoísmo, fundindo intimamente a teoria e a prática do proletariado mundial, tal como foram sintetizadas e sistematizadas por Marx, Engels, Lenine, Estaline e Mao Tsé-tung, com o movimento operário português – o do passado, o do presente e o do futuro.

42 -- CELEBRAR Estaline é para nós, educarmo-nos na escola que ele nos legou, cerrarmos punhos e dentes, unirmo-nos ainda mais sob a sua bandeira vermelha e marcharmos a uma só cadência, confiantes e audazes, para a tarefa da fundação do partido marxista-leninista-maoísta do proletariado português.

A atitude perante Estaline é uma pedra de toque infalível para distinguir hoje no mundo quem são os marxistas-leninistas e quem são os revisionistas de todos os matizes e tendências.

43 -- EM RELAÇÃO ao grande Lenine, os revisionistas modernos, com a clique renegada de Brezhnev e Ca. à frente, fingem hipocritamente venerá-lo e segui-lo, invocando a cada passo o seu nome na esperança vã de fazer passar aos olhos das massas como leninismo «puro» aquilo que outra coisa não é senão uma pacotilha revisionista, social-fascista, social-imperialista e social-militarista.

Mas em relação ao grande Estaline, os revisionistas nenhuma espécie de hipocrisia se consentiram. Estaline estava demasiado vivo no coração e na inteligência dos revolucionários e dos povos de todo o mundo, para que os revisionistas o pudessem acreditar morto no seu mausoléu do Kremlin.

44 -- EM TODO o lugar onde seja pronunciada esta simples palavra: Estaline! – logo um poderoso campo magnético expele para a direita a escumalha revisionista, os reaccionários e todos os seus lacaios, e agrupa firmemente à esquerda os marxistas-leninistas, os revolucionários, o proletariado e as amplas massas do povo, isto é, os discípulos de Estaline.

Ainda agora, os imperialistas ianques acabam de anunciar as maiores manobras militares de Inverno levadas a cabo pela Nato na Europa. Têm a duração prevista de dois meses, envolvem forças de terra, mar e ar, empregam 50 mil soldados, dos quais 10 000 serão deslocados das suas bases na «retaguarda» americana em 24 horas, etc., etc.. Começarão no dia 9 de Janeiro do próximo ano e terminarão – adivinhem! – no dia 5 de Março.

Significativo! 20 anos após a morte do grande Estaline!

45 -- COM RESPEITO a Estaline, aparece também uma terceira via que procura conciliar o inconciliável e harmonizar os contrários em luta. Originariamente aparecida em França e na Itália, essa via conta com uma representação em Portugal.

Esses histriões, quando tratam deste assunto, declaram logo na primeira linha que «Estaline foi um eminente marxista-leninista» e levam as restantes duzentas linhas a denegrir o eminente marxista-leninista que foi Estaline.

São incuráveis direitistas. Não resistem à contra-prova do campo magnético!

46 -- NO DIA 21 de Dezembro de 1979, celebrar-se-á em todo o mundo o centenário do nascimento do camarada J. V. Estaline.

Nós festejá-lo-emos, sem dúvida, melhor do que vamos agora assinalar o vigésimo aniversário da sua morte.

Trabalhar arduamente para realizar as condições necessárias à fundação do Partido – eis, na hora actual, a nossa tarefa de combate! A nossa maneira de celebrar Estaline!

Devemos fazer nossas as palavras do camarada Mao Tsé-tung, escritas em 1939:

47 --  «FESTEJAR Estaline não é uma formalidade. Festejar Estaline é tomar o partido de Estaline, da sua causa, da vitória do socialismo, do rumo que assinalou à Humanidade, é tomar partido dum amigo íntimo, já que a maioria dos homens vive actualmente no sofrimento e não pode libertar-se a não ser seguindo a rota indicada por Estaline e com a ajuda de Estaline».

Que Viva Estaline!

 

Directiva do Comité Lenine, Comité Central do M.R.P.P.

aprovada na Reunião Plenária de Outono de 1972

 


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