de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006
Sobre a prática

O materialismo pré-marxista examinava os problemas do conhecimento sem ter em conta a natureza social dos homens nem o desenvolvimento histórico da humanidade e, por isso, era incapaz de compreender que o conhecimento depende da prática social, quer dizer,  depende da produção e da luta de classes.

Os marxistas pensam, acima de tudo,  que a actividade dos homens na produção constitui justamente a base da sua actividade prática, o determinante de todas as demais actividades. O conhecimento do homem depende essencialmente da sua actividade na produção material, durante a qual vai compreendendo progressivamente os fenómenos da Natureza, as suas propriedades, as suas leis, bem como as relações entre ele próprio e a Natureza; ao mesmo tempo, pela sua actividade de produção, aprende a conhecer paulatina e gradualmente certas relações existentes entre os próprios homens. Não é possível adquirir qualquer destes conhecimentos fora da actividade na produção. Numa sociedade sem classes, cada indivíduo por si, enquanto membro dessa sociedade, colabora com os demais membros e estabelece com eles determinadas relações de produção, dedica-se à produção para satisfazer as necessidades materiais dos homens. Em todas as sociedades de classes, os membros dessas sociedades pertencem às diferentes classes sociais e que, de diversas formas, estabelecem determinadas relações de produção, também se dedicam à produção, destinada a satisfazer as necessidades materiais dos homens. É aqui que está a fonte fundamental de onde brota o desenvolvimento do conhecimento humano.

A prática social dos homens não se reduz à sua actividade na produção. Ela apresenta-se sob muitas outras formas: a luta de classes, a vida política, as actividades científicas e artísticas; em resumo, o homem, como ser social, participa em todos os domínios da vida prática da sociedade. É por essa razão que o homem, ao aprender, apreende em graus diversos as diferentes relações entre os homens, não apenas na vida material, mas também na vida política e cultural (ambas estreitamente ligadas à vida material). Destas formas de prática social, a luta de classes, nas suas diversas manifestações, exerce uma influência particularmente profunda sobre o desenvolvimento do conhecimento humano. Numa sociedade de classes, cada indivíduo existe como membro de uma determinada classe e cada forma de pensamento está invariavelmente marcada com o selo de uma classe.

Os marxistas defendem que a produção na sociedade humana se desenvolve passo a passo, do inferior ao superior e que, em consequência, o conhecimento que o homem tem quer da natureza quer da sociedade, se desenvolve também passo a passo, dos graus inferiores aos superiores, quer dizer, do simples ao complexo, do unilateral ao multilateral. Durante um período histórico muito longo, o homem viu-se circunscrito a uma compreensão unilateral da história da sociedade, já que, de um lado, as classes exploradoras a deformavam constantemente devido aos seus preconceitos e, por outro lado, a escala reduzida da produção limitava o horizonte dos homens. Só quando, com  a formação de gigantescas forças produtivas (a grande indústria),  surgiu o proletariado moderno, os homens puderam atingir uma compreensão global e histórica do desenvolvimento da sociedade e transformar esse conhecimento numa ciência, a ciência do marxismo.

Os marxistas defendem que só a prática social dos homens pode constituir o critério da verdade dos conhecimentos que os homens possuem sobre o mundo exterior. Com efeito, o conhecimento do homem fica confirmado apenas quando consegue os resultados esperados no processo da prática social (produção material, luta de classes ou experimentação científica). Se se quiser atingir sucesso no trabalho, quer dizer, alcançar os resultados previstos, tem de se fazer concordar as ideias com as leis do mundo exterior objectivo; sem essa correspondência, fracassa-se na prática. Depois de se sofrer um fracasso, tira-se lições dele, modifica-se as ideias fazendo-as concordar com as leis do mundo exterior e, dessa forma, pode-se transformar o fracasso em sucesso: eis o que se quer dizer com "a derrota é a mãe da vitória" e "cada fracasso faz-nos mais lestos". A teoria materialista dialéctica do conhecimento coloca a prática no primeiro plano; considera que o conhecimento do homem não pode separar-se, em nenhum grau, da prática, e recusa todas as teorias erróneas que negam a importância da prática ou desligam o conhecimento da prática. Lenine dizia: "A prática é superior ao conhecimento (teórico), porque possui não apenas a dignidade da universalidade, mas também a da realidade imediata". A filosofia marxista – o materialismo dialéctico – tem duas características relevantes. Uma é o seu carácter de classe: afirma explicitamente que o materialismo dialéctico serve o proletariado. A outra é o seu carácter prático: vinca a dependência da teoria em relação à prática, sublinha que a prática é a base da teoria que, por sua vez, serve à prática. A verdade de um conhecimento ou de uma teoria não se determina por uma apreciação subjectiva, mas pelos resultados objectivos da prática social. O critério da verdade não pode ser outro senão a prática social. O ponto de vista da prática é o ponto de vista primeiro e fundamental da teoria materialista dialéctica do conhecimento.

Mas, como é que o conhecimento humano surge da prática e serve, por sua vez, essa mesma prática? Para se compreender basta olhar o processo de desenvolvimento do conhecimento.

No processo da prática, os homens não vêem, ao começo, senão as aparências, os aspectos isolados e as ligações externas das coisas. Por exemplo, as pessoas vindas a Yenan para ver como é, nos primeiros um ou dois dias, vêem a sua topografia, as ruas e as casas, tomam contacto com muitas pessoas, assistem a recepções, reuniões e comícios, ouvem várias intervenções e lêem diferentes documentos: tudo isso é a aparência das coisas, os seus aspectos isolados e as suas ligações externas. Esta etapa do conhecimento denomina-se etapa sensorial, isto é, a etapa das sensações e das impressões. Quer dizer, as coisas de Yenan, isoladas, agindo sobre os órgãos dos sentidos das pessoas que cá vêm, provocam-lhes sensações e fazem surgir no seu cérebro uma grande quantidade de impressões e ideias aproximativas das ligações externas entre as ditas impressões: esta é a primeira etapa do conhecimento. Nesta etapa, os homens não podem ainda formar conceitos, pois estes correspondem a um nível mais profundo, nem tirar quaisquer conclusões lógicas.

A continuação da prática social implica a repetição múltipla de factos que suscitam nos homens as concomitantes repetições de sensações e impressões. É então que se produz uma mudança súbita (um salto) na consciência desses homens e no seu processo do conhecimento: surgem os conceitos. Os conceitos já não são mais simples reflexos das aparências das coisas, dos seus aspectos isolados e das suas ligações externas, porque captam os factos na sua essência, no seu conjunto e nas suas ligações internas. Entre o conceito e a sensação existe uma diferença não apenas quantitativa, mas também qualitativa. O desenvolvimento posterior, através do juízo e da dedução, pode levar a extrair conclusões lógicas. Quando no Romance dos três reinos se diz "enrugou o sobrolho e veio-lhe à mente um estratagema", ou quando dizemos correntemente "deixe-me reflectir", isso significa que, operando intelectualmente conceitos com o cérebro, ajuizamos e deduzimos. Esta é a segunda etapa do conhecimento. Os nossos visitantes, que constituem grupos de investigação, depois de  reunirem dados variados e, mais importante, depois de reflectirem, podem chegar ao juízo de que "a política da frente única nacional anti-japonesa, aplicada pelo Partido Comunista, é consequente, sincera e genuína". Depois, tendo formulado esse juízo e se forem genuínos partidários da unidade para salvar a pátria, podem ir mais longe e extrair a seguinte conclusão: "A frente única nacional anti-japonesa pode ter êxito". Esta etapa, a dos conceitos, dos juízos e das deduções, aparece como ainda mais importante no processo geral do conhecimento das coisas pelos homens: é a etapa do conhecimento racional. A verdadeira tarefa do conhecimento consiste em  passar das sensações ao pensamento, em chegar progressivamente à compreensão das contradições internas dos factos, das suas leis e das ligações internas entre processos, quer dizer, em atingir o conhecimento lógico. Repetimos: o conhecimento lógico difere do conhecimento sensorial na medida em que este atinge apenas os aspectos isolados, as aparências e as ligações externas das coisas, enquanto aquele, dando um enorme passo à frente, alcança a totalidade de cada fenómeno, a sua essência e a ligação interna das coisas, pondo a nu as contradições internas do mundo objectivo e pode, por isso mesmo, alcançar o domínio do desenvolvimento do mundo circundante no seu conjunto, nas ligações internas de todos os seus aspectos.

Ninguém, antes do marxismo, elaborou uma teoria como esta, a materialista dialéctica, sobre o processo de desenvolvimento do conhecimento, fundada na prática e indo do superficial ao profundo. Foi o materialismo marxista o primeiro a resolver correctamente este problema evidenciando, de uma maneira materialista e dialéctica o movimento de aprofundamento contínuo do conhecimento, movimento pelo qual os homens, como seres sociais, passam progressivamente do conhecimento sensorial ao conhecimento lógico na sua prática complexa e constantemente repetida da produção e da luta de classes. Lenine dizia: "A abstracção da matéria, de uma lei natural, a abstracção do valor, etc., numa palavra, todas as abstracções científicas (correctas, sérias, não arbitrárias) reflectem a Natureza mais profundamente, mais fielmente e mais completamente". O marxismo-leninismo sustém que cada uma das duas etapas do processo cognitivo tem as suas próprias características, na etapa inferior, o conhecimento manifesta-se como conhecimento sensorial e, na etapa superior, como conhecimento lógico, mas ambas são etapas de um processo cognitivo único. O conhecimento sensorial e o conhecimento racional são qualitativamente diferentes, mas não estão desligados um do outro, pelo contrário, encontram-se unidos pela base da prática. A nossa prática é testemunho de que não podemos compreender imediatamente os dados de que temos apenas percepção sensorial, e que só aquilo que já compreendemos podemos sentir com maior profundidade. A sensação apenas resolve o problema das aparências; o problema da essência só pode ser resolvido pelo pensamento teórico. A solução destes problemas não pode afastar-se, nem um mínimo que seja, da prática. Quem quiser conhecer uma coisa, não poderá fazê-lo sem entrar em contacto com ela, quer dizer, sem viver (praticar) no mesmo meio em que essa coisa existe. Na sociedade feudal era impossível conhecer antecipadamente as leis da sociedade capitalista, pois não tinha aparecido ainda o capitalismo e faltava a prática correspondente. O marxismo só podia ser produto da sociedade capitalista. Marx, na época do capitalismo liberal, não podia conhecer concretamente, de antemão, certas leis peculiares da época do imperialismo, já que não tinha aparecido ainda o imperialismo, fase suprema do capitalismo, e faltava a prática correspondente; apenas Lenine e Estaline puderam assumir essa tarefa. Para além do seu génio, a razão principal pela qual Marx, Engels, Lenine e Estaline puderam criar as suas teorias foi a sua participação pessoal na prática da luta de classes e da experimentação científica do seu tempo; sem este requisito, nenhum génio poderia tê-lo feito com sucesso. A expressão: "sem ultrapassar a ombreira da porta, o letrado pode saber tudo quanto acontece no mundo" não era mais do que uma frase oca nos tempos antigos, quando a técnica não estava ainda desenvolvida; e se na nossa época de técnica desenvolvida, tal coisa aparece como realizável, os únicos que podem possuir conhecimentos autênticos, de primeira mão, são quem "no mundo" se dedica à prática. E só quando, graças à escrita e a outros meios técnicos, os conhecimentos que estas pessoas adquiriram na sua prática chegam ao "letrado", pode este, indirectamente, "saber tudo quanto acontece no mundo". Para conhecer directamente tal ou tal coisa ou coisas, é necessário participar pessoalmente na luta prática para transformar a realidade, para transformar a dita coisa ou coisas, já que este é o único meio de entrar em contacto com a forma sob a qual essa coisa aparece (o fenómeno) e só assim é possível conhecer a essência da dita coisa ou coisas e compreendê-las. Tal é o processo cognitivo que todos os homens seguem na realidade, embora alguns, deformando deliberadamente os factos, afirmem o contrário. Os mais ridículos são os "sabe-tudo" que, recolhendo de ouvido conhecimentos fragmentários e superficiais, se têm pela "máxima autoridade no mundo", o que apenas dá testemunho da sua fatuidade. O conhecimento é uma questão de ciência e esta não admite nem a menor desonestidade nem a menor presunção; o que requer é precisamente o contrário,  honestidade e modéstia. Se se quiser conhecer, tem-se que participar na prática que transforma a realidade. Se se quiser conhecer o sabor de uma pêra, tem-se que transformá-la provando-a. Se se quiser conhecer a estrutura e as propriedades do átomo, tem-se que fazer experiências físicas e químicas modificando o estado do átomo. Se se quiser conhecer a teoria e os métodos da revolução, tem-se que participar na revolução. Todos os conhecimentos autênticos resultam da experiência directa. Porém, cada homem não pode ter uma experiência directa de todas as coisas, razão pela qual a maior parte dos nossos conhecimentos provêm da experiência indirecta, por exemplo, todos os conhecimentos dos séculos passados e de outros países. Estes conhecimentos foram ou são, para os nossos antecessores e para os estrangeiros, produto da sua experiência directa, e merecem confiança se no decurso dessa experiência directa se cumpriu a condição de "abstracção científica" de que falava Lenine e se reflectem de um modo científico a realidade objectiva; se assim não for, não a merecem. Por isso, os conhecimentos de qualquer pessoa são constituídos por duas partes: os dados da experiência directa e os dados da experiência indirecta. Contudo, o que para mim é experiência indirecta, constitui para outros experiência directa. Daí que, considerando o seu conjunto, nenhum conhecimento, seja do tipo que for, está desligado da experiência directa. A fonte de todo o conhecimento são as sensações recebidas do mundo exterior objectivo pelos homens através dos seus órgãos dos sentidos. Não é materialista quem negar a sensação, negar a experiência directa, ou negar a participação pessoal na prática transformadora da realidade. É por isso que os "sabe-tudo" são tão ridículos. Um antigo ditado chinês pergunta: "se não se entrar no covil do tigre, como se lhe pode apanhar as crias?" Este ditado é verdadeiro tanto para a prática do homem quanto para a teoria do conhecimento. Não pode haver conhecimento desligado da prática.

Para pôr em evidência como o movimento materialista dialéctico do conhecimento, movimento de aprofundamento gradual do conhecimento, se funda na prática transformadora da realidade, daremos a seguir outros exemplos concretos.

No período inicial da sua prática, período de destruição das máquinas e de luta espontânea, o proletariado, no que diz respeito ao seu conhecimento da sociedade capitalista, apenas se encontrava na etapa do conhecimento sensorial: conhecia apenas aspectos isolados e ligações externas de diferentes fenómenos do capitalismo. Nessa época, o proletariado era ainda o que se chama de "classe em si". Só se tornou numa "classe para si" quando, entrando no segundo período da sua prática, período de luta económica e política consciente e organizada, começou a compreender a essência da sociedade capitalista, as relações de exploração entre as classes sociais e as suas próprias tarefas históricas, graças a experiências práticas variadas, à experiência de  luta prolongada e à generalização no seu seio da teoria marxista, teoria científica elaborada por Marx e Engels a partir da dita experiência.

O mesmo se passou no que respeita ao conhecimento do povo chinês sobre o imperialismo. A primeira etapa foi a do conhecimento sensorial, superficial, tal como se manifestou nas lutas indiscriminadas contra os estrangeiros, ocorridas durante os movimentos do Reino Celestial Taiping, do Yijetuan e outros. Só na segunda etapa, a do conhecimento racional, o povo chinês discerniu as diferentes contradições internas e externas do imperialismo e compreendeu a verdade essencial de que o imperialismo, em aliança com a burguesia compradora e a classe feudal, oprimia e explorava as amplas massas populares da China; tal conhecimento começou com o período do Movimento de 4 de Maio de 1919.

Vejamos, agora, a guerra. Se os dirigentes militares carecerem de experiência militar, no início não poderão compreender as leis profundas que regem o desenvolvimento de uma guerra específica (por exemplo, a nossa Guerra Revolucionária Agrária dos últimos dez anos). No início, só poderiam adquirir a experiência de numerosos combates e, o que é mais, sofreriam muitas derrotas. No entanto, essa experiência (a experiência dos combates ganhos e, sobretudo, a dos perdidos) permitir-lhes-iam compreender o que por dentro articula toda a guerra, quer dizer, as leis dessa guerra específica, compreender a estratégia e as tácticas e, por essa via, dirigi-la com segurança. Se nesse momento se confiasse a direcção da guerra a alguém inexperiente, esse alguém também teria que sofrer uma série de derrotas (quer dizer, adquirir experiência) antes de conseguir compreender as verdadeiras leis da guerra.

Com frequência, ouve-se dizer a alguns camaradas sem coragem para aceitar uma dada tarefa: "não estou certo de poder cumpri-la". Por que é que pensam assim? Porque não compreendem o conteúdo e as condições desse trabalho de acordo com as leis que o regem, porque não tiveram ou tiveram muito pouco contacto com semelhante trabalho, de forma que não se pode dizer que conheçam tais leis. Mas, depois de uma análise detalhada da natureza e das condições desse trabalho, sentir-se-ão relativamente confiantes e aceitá-lo-ão com satisfação. Se se dedicarem a ele por algum tempo e adquirirem experiência, e se estiverem dispostos a estudar a situação com prudência, em vez de considerarem as coisas de maneira subjectiva, unilateral e superficial, serão capazes de chegar por si próprios a conclusões sobre como deve ser realizada a tarefa e fá-la-ão com muito maior coragem. Só quem tem uma visão subjectiva, unilateral e superficial dos problemas, se põe a dar ordens presunçosamente logo que chega a um novo posto, sem levar em conta as circunstâncias, sem examinar as coisas na sua totalidade (a sua história e a sua situação actual considerada como um todo) nem apreender a sua essência (a sua natureza e as suas ligações internas com as outras coisas). Inevitavelmente semelhante gente tropeça e cai.

Em consequência, o primeiro passo no processo do conhecimento é o contacto com os fenómenos do mundo exterior: a etapa das sensações. O segundo é a síntese dos dados fornecidos pelas sensações, ordenando-os e elaborando-os: a etapa dos conceitos, dos juízos e das deduções. Só quando os dados recebidos pelas sensações são muitos e ricos (não fragmentários e incompletos) e estão de acordo com a realidade (que não resultem de um erro dos sentidos), podem servir de base para formar conceitos correctos e uma teoria correcta.

Cumpre sublinhar dois pontos importantes. O primeiro, que se assinalou acima mas que convém reiterar, é a dependência do conhecimento racional relativa ao conhecimento sensorial. É idealista quem considera possível que o conhecimento racional não provenha do conhecimento sensorial. Na história da filosofia houve a escola "racionalista", que só reconhecia a realidade da razão, negava a realidade da experiência, afirmava que não se podia fazer confiança a não ser na razão e nunca na experiência proveniente da percepção sensível; o seu erro consistia em inverter os factos. O conhecimento racional merece crédito precisamente porque tem origem no sensorial; de outro modo, o conhecimento racional seria um rio sem nascente, uma árvore sem raízes, qualquer coisa exclusivamente subjectiva, autogerada e indigna de confiança. Na ordem do processo do conhecimento, a experiência sensorial vem em primeiro lugar; se vincamos a importância da prática social no processo do conhecimento é porque só ela pode dar origem ao conhecimento humano  permitindo aos homens começarem a adquirir experiência sensorial do mundo exterior objectivo. Para uma pessoa que fecha os olhos e tapa os ouvidos e se isola totalmente do mundo exterior objectivo, não há conhecimento possível. O conhecimento inicia-se com a experiência: esse é o princípio materialista da teoria do conhecimento.

O segundo ponto é a necessidade de aprofundá-lo, a necessidade de o desenvolver da etapa sensorial para a racional: é aqui que está a dialéctica da teoria do conhecimento. Pensar que o conhecimento poda ficar na etapa inferior, sensorial, e que apenas é digno de crédito o conhecimento sensorial e não o racional, significa cair no "empirismo", erro já conhecido na História. O erro desta teoria consiste em ignorar que os dados proporcionados pelas sensações, ainda que constituam reflexos de determinadas realidades do mundo exterior objectivo (aqui não me refiro ao empirismo idealista, que reduz a experiência à chamada introspecção), não passam de unilaterais e superficiais reflexos dos fenómenos, que não traduzem a essência das coisas. Para reflectir plenamente uma coisa na sua totalidade, para reflectir a sua essência e as suas leis internas, é preciso proceder a uma operação mental, submeter os ricos dados percepcionados pelos sentidos a uma elaboração que consiste em rejeitar a casca para ficar com o grão, eliminar o falso para conservar o verdadeiro, passar de um aspecto a outro e do externo ao interno, formando assim um sistema de conceitos e teorias; é preciso saltar do conhecimento sensorial ao conhecimento racional. Esta elaboração não torna os conhecimentos menos ricos nem menos dignos de confiança. Pelo contrário, tudo aquilo que no processo do conhecimento foi elaborado cientificamente com base na prática, reflecte a realidade objectiva, como diz Lenine, de forma mais profunda, verdadeira e completa. Os "práticos" vulgares não procedem assim; respeitam a experiência mas desprezam a teoria e, em consequência, não podem ter uma visão que abranja um processo objectivo na sua totalidade, falta-lhes uma orientação clara e uma perspectiva de longo alcance, e embriagam-se com os seus êxitos ocasionais e com fragmentos da verdade. Se essas pessoas dirigissem a revolução, conduzi-la-iam a um beco sem saída.

O conhecimento racional depende do conhecimento sensorial, e este deve desenvolver-se em conhecimento racional: tal é a teoria materialista dialéctica do conhecimento. Na filosofia, nem o "racionalismo" nem o "empirismo" entendem o carácter histórico ou dialéctico do conhecimento, e ainda que cada uma destas escolas contenha um aspecto da verdade (refiro-me ao racionalismo e ao empirismo materialistas, e não idealistas), ambas são erróneas quanto à teoria do conhecimento no seu conjunto. O movimento materialista dialéctico do conhecimento sensorial ao racional tem lugar quer num pequeno processo cognitivo (por exemplo, conhecer uma só coisa, um só trabalho) quer num grande processo (por exemplo, conhecer uma dada sociedade ou uma dada revolução).

No entanto, o movimento do conhecimento não acaba aí. Se o movimento materialista dialéctico do conhecimento se detivesse no conhecimento racional, seria resolvida apenas metade do problema e, mais ainda, segundo a filosofia marxista, a metade menos importante. A filosofia marxista considera que o problema mais importante não consiste em compreender as leis do mundo objectivo para estar em condições de interpretá-lo, mas sim em aplicar o conhecimento dessas leis para transformá-lo activamente. Para o marxismo, a teoria é importante, e a sua importância está plenamente expressa na seguinte frase de Lenine: "sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário". Mas o marxismo só vinca a importância da teoria precisa e unicamente porque pode guiar a actividade prática. Se tivermos uma teoria justa, mas nos contentarmos em fazer dela um tema de conversa e a deixarmos arquivada em lugar de pô-la em prática, semelhante teoria, por melhor que seja, carecerá de qualquer significação. O conhecimento começa pela prática, e todo o conhecimento teórico, adquirido através da prática, deve ser de novo levado à prática. A função activa do conhecimento não se manifesta apenas no salto activo do conhecimento sensorial para conhecimento racional, mas também, o que é ainda mais importante, deve manifestar-se no salto do conhecimento racional à prática revolucionária. O conhecimento adquirido sobre as leis do mundo deve ser dirigido de novo à prática transformadora do mundo, há que aplicá-lo novamente na prática da produção, na prática da luta de classes revolucionária e da luta nacional revolucionária, bem como na prática da experimentação científica. Eis o processo de comprovação e desenvolvimento da teoria, a continuação do processo global do conhecimento. O problema de saber se uma teoria corresponde à verdade objectiva não se resolve nem pode resolver-se completamente no movimento do conhecimento sensorial ao conhecimento racional anteriormente descrito. O único meio para resolver completamente este problema é dirigir de novo o conhecimento racional para a prática social, aplicar a teoria à prática e verificar se conduz aos objectivos propostos. Muitas teorias das ciências naturais são reconhecidas como verdadeiras não apenas porque foram criadas por cientistas, mas porque foram comprovadas pela prática científica ulterior. Igualmente, o marxismo-leninismo é reconhecido como verdade não só porque esta doutrina foi elaborada cientificamente por Marx, Engels, Lenine e Estaline, mas porque foi comprovada na prática ulterior da luta de classes e da luta nacional revolucionária. O materialismo dialéctico é uma verdade universal porque ninguém, na sua prática, pode fugir ao seu domínio. A história do conhecimento humano ensina-nos que a verdade de muitas teorias era incompleta e que a comprovação na prática permitiu corrigi-las. É por isto que a prática é o critério da verdade e que "o ponto de vista da vida, da prática, deve ser o ponto de vista primordial e fundamental da teoria do conhecimento". Estaline tinha razão ao dizer: "a teoria resulta sem objecto se não estiver vinculada à prática revolucionária, exactamente do mesmo modo que a prática resulta cega se a teoria revolucionária não iluminar o seu caminho".

Consuma-se aqui o movimento do conhecimento? Respondemos sim e não. Quando os homens, como membros da sociedade, se dedicam à prática transformadora de um determinado processo objectivo (quer natural, quer social), numa etapa determinada do seu desenvolvimento, podem, como consequência do reflexo do processo objectivo no seu cérebro e da sua própria actividade consciente, fazer avançar o seu conhecimento desde o um grau sensorial até um grau racional, e criar ideias, teorias, planos ou projectos que correspondam, em termos gerais, às leis que regem o processo objectivo em questão. A seguir, levam essas ideias, teorias, planos ou projectos à prática desse mesmo processo objectivo. Se atingirem os objectivos formulados, quer dizer, se na prática desse processo conseguirem realizar as ideias, teorias, planos ou projectos previamente elaborados, ou realizá-los em linhas gerais, então pode considerar-se consumado o movimento do conhecimento desse processo específico. Podem dar-se por atingidos os objectivos previstos quando, por exemplo, no processo de transformar a natureza, se realiza um projecto de engenharia, se verifica uma hipótese científica, se fabrica um utensílio ou se colhe uma cultura, ou, no processo de transformar a sociedade, o sucesso de uma greve, a vitória numa guerra, ou se cumpre um plano de educação. Porém, geralmente, quer na prática que transforma a natureza, quer na que transforma a sociedade, só muito ocasionalmente é que se realizam sem qualquer alteração as ideias, teorias, planos ou projectos previamente elaborados pelos homens. Isto deve-se a que as pessoas que se dedicam à transformação da realidade estão sempre sujeitas a numerosas limitações; não apenas pelas condições científicas e técnicas existentes, como também pelo desenvolvimento do próprio processo objectivo e o grau em que este se manifesta (por ainda não terem sido completamente revelados os diferentes aspectos e a essência do próprio processo objectivo). Nesta situação, devido a que, no decurso da prática, se descobrem circunstâncias imprevistas, frequentemente se modificam parcialmente e por vezes mesmo completamente as ideias, teorias, planos ou projectos. Dito por outras palavras, há casos em que as ideias, teorias, planos ou projectos originais não correspondem, em parte ou no todo, à realidade, são parcial ou totalmente errados. Em muitos casos, só após repetidos fracassos se consegue corrigir os erros,  e se faz o conhecimento coincidir com as leis do processo objectivo e, portanto, e assim transformar o subjectivo em objectivo, quer dizer, atingir na prática os resultados esperados. Em todo o caso, quando se chega a este ponto, pode considerar-se consumado o movimento do conhecimento humano relativamente a um dado processo objectivo numa etapa determinada do seu desenvolvimento.

No entanto, considerando o processo no seu desenvolvimento, o movimento do conhecimento humano não está terminado. Em virtude das suas contradições e lutas internas, todo o processo, quer natural quer social, progride e desenvolve-se e, em consonância com esse desenvolvimento, também o movimento do conhecimento humano tem que progredir e desenvolver-se. Quando se trata de movimentos sociais, os autênticos dirigentes revolucionários não só devem saber corrigir os erros que se descubram nas suas ideias, teorias, planos ou projectos, da forma afirmada anteriormente, como também devem saber avançar e mudar no seu conhecimento subjectivo, consoante um determinado processo objectivo avança e muda passando de uma etapa de desenvolvimento a outra, e conseguir que todos os que participam na revolução façam o mesmo, quer dizer, devem chegar ao ponto de saber corresponder às mudanças produzidas na situação, novas tarefas revolucionárias e novos planos de trabalho. Num período revolucionário, a situação muda muito rapidamente e, se o conhecimento dos revolucionários não muda também tão rapidamente quanto a situação, estes tornar-se-ão incapazes de conduzir a revolução à vitória.

Todavia, acontece frequentemente que as ideias se atrasam em comparação com a realidade; isto é devido ao facto de o conhecimento dos homens estar limitado por numerosas condições sociais. Opomo-nos aos teimosos nas fileiras revolucionárias, porque as suas ideias não progridem ao ritmo de mudança da situação objectiva, o que, na história, se tem revelado como oportunismo de direita. Essas pessoas não vêem que a luta dos contrários já fez avançar o processo objectivo, enquanto que o seu conhecimento ainda permanece na etapa precedente. Isto é característico do pensamento de todos os teimosos. As suas ideias estão desfasadas da prática social, não são capazes de guiar o carro do progresso social, limitam-se a seguir-lhe o rasto, resmungando que o carro vai demasiado rápido e tentando atrasá-lo ou inverter-lhe a marcha.

Também nos opomos ao vácuo palavreado de "esquerda". As ideias dos "esquerdistas" passam por cima de uma determinada etapa de desenvolvimento do processo objectivo; uns tomam as suas fantasias por verdades, outros pretendem realizar à força, no presente, ideais que só são realizáveis no futuro. Afastadas da prática presente da maioria das pessoas e da realidade do momento, as suas ideias traduzem-se na acção prática em aventureirismo.

O idealismo e materialismo mecanicista, o oportunismo e o aventureirismo, caracterizam-se pela ruptura entre o subjectivo e o objectivo, pela separação entre o conhecimento e a prática. A teoria marxista-leninista do conhecimento, caracterizada pela prática social científica, não pode deixar de se opor categoricamente a estas concepções erradas. Os marxistas reconhecem que, no processo geral absoluto do desenvolvimento do universo, o desenvolvimento de cada processo determinado é relativo e que, por isso, na corrente infinita da verdade absoluta, o conhecimento humano de cada processo concreto e particular, em cada etapa do seu desenvolvimento, é só uma verdade relativa. A soma total das incontáveis verdades relativas é que constitui a verdade absoluta. O desenvolvimento de qualquer processo objectivo está cheio de contradições e lutas, como também o está o desenvolvimento do movimento do conhecimento humano. Todo movimento dialéctico do mundo objectivo reflecte-se, mais tarde ou mais cedo, no conhecimento humano. Na prática social, o processo de nascimento, desenvolvimento e extinção é infinito. Igualmente infinito é o processo de nascimento, desenvolvimento e extinção no conhecimento humano. É justamente porque a prática do homem, que transforma a realidade objectiva de acordo com determinadas ideias, teorias, planos ou projectos, progride constantemente que o conhecimento humano da realidade objectiva se aprofunda sem cessar. O movimento de mudança no mundo da realidade objectiva é eterno e ilimitado; igualmente eterno e ilimitado é o processo de conhecimento da verdade que os homens prosseguem através da prática. O marxismo-leninnismo não põe fim, de modo algum, à descoberta da verdade; pelo contrário, ele abre sem cessar o caminho para conhecimento da verdade no processo da prática. A nossa conclusão é que nós somos pela unidade concreta e histórica do subjectivo e do objectivo, da teoria e da prática, do saber e do fazer, e opomo-nos a todas as concepções erradas, de "esquerda" e de direita, que se afastam da história concreta.

Na presente época do desenvolvimento na sociedade, a história fez recair sobre os ombros do proletariado e do seu partido a responsabilidade de conhecer com exactidão o mundo e transformá-lo. Este processo, o da prática transformadora do mundo, determinado na base do conhecimento científico, atingiu já um momento histórico na China e no mundo inteiro, um grande momento sem precedentes na história, isto é, o momento de acabar completamente com as trevas na China e no resto do mundo, de transformar o nosso mundo num mundo radioso, nunca visto antes. A luta do proletariado e dos povos revolucionários pela transformação do mundo implica o cumprimento das seguintes tarefas: transformar o mundo objectivo e, ao mesmo tempo, transformar o seu próprio mundo subjectivo, quer dizer, as capacidades cognitivas de cada um e o relacionamento entre o mundo subjectivo de cada um e o mundo objectivo. Estas transformações já estão em marcha numa parte do globo terrestre, a União Soviética, onde se continua a aprofundar esse processo de transformações. Os povos da China e do resto do mundo também estão a passar ou passarão por semelhante processo. O mundo objectivo a transformar inclui igualmente todos os adversários destas transformações, que têm de passar por uma etapa de coacção antes de poderem entrar na etapa de transformação consciente. A época em que a humanidade inteira proceda de maneira consciente à sua própria transformação e à do mundo, será a época do comunismo mundial.

Descobrir a verdade através da prática e, mais uma vez através da prática, comprová-la e desenvolvê-la. Partir do conhecimento sensorial e desenvolvê-lo activamente convertendo-o em conhecimento racional; passar do conhecimento racional à direcção activa da prática revolucionária para transformar o mundo subjectivo e o mundo objectivo. Praticar, conhecer, praticar outra vez e conhecer de novo. Esta forma repete-se em infinitos ciclos e, a cada ciclo, o conteúdo da prática e do conhecimento eleva-se a um nível cada vez mais alto. Tal é, no seu conjunto, a teoria materialista-dialéctica do conhecimento, e tal é a teoria materialista-dialéctica da unidade do saber com a prática.


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publicado por portopctp às 18:22
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1 comentário:
De portopctp a 23 de Novembro de 2006 às 19:25
Esta versão em português deste importante texto de Mao Tsé-tung foi elaborada a partir de tradução galega do mesmo e da comparação com a edição em português do I Tomo das obras escolhidas de Mao Tsé-tung das Edições Pekim. Essas duas versões são bastante diferentes, embora nos pareça que a edição galega foi elaborada por tradução da versão inglesa (não temos a certeza). A versão das edições Pekim, possivelmente por ter sido elaborada por alguém relativamente desconhecedor da cultura portuguesa, está escrita em linguagem pouco habitual, se bem que correcta. Daí a necessidade da confrontação dos duas versões. Os critérios fundamentais foram os seguintes: a simplificação da linguagem sem alterar o sentido; entre a palavra "sensível" utilizada na versão das edi´ções Pekim e a palavra "sensorial" da versão galega, optámos por "sensorial" dado que, se bem que os seus significados sejam muito similares, hoje predomina para "sensível" o significado de "que é detectável pelos sentidos", enquanto que para "sensorial" predomina o significado de "proveniente dos sentidos" que se adequa melhor ao contexto. Também coisa, fenómeno e facto estão traduzidos diferentemente numa e noutra versão. Aqui a opção foi, só empregar a palavra "fenómeno" quando não existiram dúvidas de que o sentido era o da "aparência das coisas", Por certo haverá alguma coisa a corrigir. Cuidaremos para que tal se venha a fazer.


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