de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Que fazer? - Conclusão

Início

V Parte - 2

 

A história da social-democracia russa divide-se nitidamente em três períodos.

O primeiro abrange uma dezena de anos, aproximadamente de 1884 a 1894. Foi o período do nascimento e consolidação da teoria e do programa da social-democracia. Os partidários da nova orientação na Rússia contavam-se pelos dedos. A social-democracia existia sem o movimento operário e atravessava, como partido político, um período de gestação.

O segundo período estende-se por três ou quatro anos, de 1894 a 1898. A social-democracia vem ao mundo como movimento social, como ascensão das massas populares, como partido político. É o período da infância e da adolescên­cia. Com a rapidez de uma epidemia, o entusiasmo geral pela luta contra o popu­lismo propaga-se entre os intelectuais, que vão aos operários, bem como se difun­de o entusiasmo geral dos operários pelas greves. O movimento faz enormes progressos. A maior parte dos dirigentes é constituída por jovens, que ainda não atingiram e ainda estão longe "dos trinta e cinco anos", que o Sr. N. Mikhailóvski considerava como uma espécie de limite natural. Por causa da sua juventude, re­velam-se pouco preparados para o trabalho prático e saem de cena com muita rapidez. Na maioria das vezes, porém, o seu trabalho apresentava grande amplitu­de. Muitos de entre eles tinham começado a pensar como revolucionários, como Narodovoltsy. Quase todos, na sua primeira juventude, haviam cultivado o heroís­mo do terror. Para subtraí-los à sedução dessa tradição heróica, foi preciso lutar, romper com pessoas que queriam a qualquer custo permanecer fiéis à "Narodnaia Volia", e a quem os jovens social-democratas tinham em alta estima. A luta impu­nha que se instruíssem, que lessem obras ilegais de todas as tendências, que se ocupassem intensamente dos problemas do populismo legal. Formados nessa lu­ta, os social-democratas iam ao movimento operário, sem esquecer "um instante" a teoria marxista, que os iluminava como uma luz brilhante, nem o objectivo de derrubar a autocracia. A formação de um Partido, na primavera de 1898, foi o facto mais marcante e ao mesmo tempo o último acto dos social-democratas desse período.

O terceiro período anuncia-se, como vimos, em 1897 e substitui em definitivo o segundo período em 1898 (1898-?). É um período de dispersão, de desagregação, de vacilação. Tal como entre os adolescentes ocorre a mudança de voz, também a voz da social-democracia russa desse período começou a mudar, a soar a falso — de um lado, nas obras dos senhores Struve e Prokopovitch, Bulgakov e Berdiaiev; de outro, nas de V.I. e R. M., entre B. Kritchévski e Martynov. Mas os únicos a errar foram os dirigentes, cada um da sua maneira, e a retroceder: o movimento continuava a estender-se, a avançar a passos de gigante. A luta proletária ganhava novas camadas operárias e propagava-se através da Rússia, contribuindo ao mesmo tempo, indirectamente, para reanimar o espírito democrático entre os estudantes e as outras categorias da população. Mas se a consciência dos dirigentes cedeu diante da grandeza e força do impulso espontâneo, entre os militantes social-democratas já predominava uma outra fase, porque alimentados quase que unicamente pela literatura marxista "legal", esta se revelava cada vez mais insuficiente, uma vez que a espontaneidade das massas exigia desses militantes um cada vez maior grau de consciência. Os dirigentes não apenas ficaram para trás no plano teórico ("liberdade de critica"), como também no plano prático ("métodos artesanais de trabalho"), e ainda procuraram justificar o seu atraso com toda espécie de argumentos grandiloquentes. A social-democracia foi rebaixada ao nível do sindicalismo, tanto pelos brensteinistas da literatura legal como pelos seguidores da literatura ilegal. O programa do Credo começou a realizar-se, principalmente quando o "trabalho artesanal" dos social-democratas reanimou as tendências revolucionárias não social-democratas.

E se o leitor me recrimina por me ter ocupado demasiadamente de um jornal como o Rabótcheie Dielo, responderei: O Rabótcheie Dielo assumiu importância "histórica", porque traduziu da forma mais relevante o "espírito" desse terceiro período[1]. Não era o consequente R. M., mas Kritchévski e Martynov que giravam como cata-ventos e que podiam exprimir da melhor forma a dispersão e as oscilações, o empenho em fazer concessões à "crítica", ao "economismo" e ao terrorismo. Não é o majestoso desdém pela prática, de um admirador qualquer do "absoluto" que caracteriza esse período, mas exactamente a conjugação de um praticismo mesquinho e da mais completa despreocupação em relação à teoria. Os heróis desse período não se preocuparam tanto em negar directamente as "grandes frases" como em banalizá-las: o socialismo científico deixou de ser um corpo de doutrina revolucionária e tornou-se uma mistura confusa, à qual foi acrescentado "livremente" o conteúdo de qualquer manual alemão novo; a palavra de ordem, "luta de classes", não conduzia a uma acção cada vez mais extensa e enérgica — servia de desvanecedor, pois a "luta económica está indissoluvelmente ligada à luta política", a ideia de partido não estimulava a criação de uma organização revolucionária de combate, justificando uma espécie de "burocratismo revolucionário" e uma tendência pueril em brincar com as formas "democráticas".

Ignoramos quando terminará o terceiro período e terá início o quarto (que, em todo caso, já se anuncia por numerosos sintomas). Do domínio da história, passamos aqui para o domínio do tempo presente e, em parte, para o do futuro.

Mas temos a firme convicção que o quarto período conduzirá à consolidação do marxismo militante; que a social-democracia russa sairá da crise mais forte e viril; que a retaguarda dos oportunistas será "rendida" pela verdadeira vanguarda da mais revolucionária das classes.

Exortando para que se faça essa "rendição" e resumindo tudo o que foi exposto anteriormente, podemos dar à pergunta "Que fazer?" uma breve resposta:

Liquidar o terceiro período

 

Anexo

[1] Eu também poderia responder com o provérbio alemão: Den Sack man schlägt, den Esel man Meint (bater no saco, mas saber que é no burro – fazer de alguém bode expiatório). Não só o Rabótcheie Dielo, mas também a grande massa de trabalhadores práticos e teóricos foi levada pela "crítica" a la mode, tornando confuso o que diz respeito à questão da espontaneidade e da secundarização do social-democrata à concepção sindical das nossas tarefas políticas e organizacionais. – Lenine.


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publicado por portopctp às 17:05
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