de Marx, Engels, Lenine, Estaline, Mao Tsé-tung e outros autores
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007
Que fazer? V-1- Plano de um jornal público para toda a Rússia

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IV Parte - 3

 

"O maior erro do Iskra nesse aspecto", escreve B. Kritchévski que nos censura pela tendência de "isolando a teoria da prática, transformar a primeira numa doutrina morta" (Rab. Dielo, nº 10, p. 30), "é o seu 'plano' de uma organização geral do Partido" (isto é, o artigo "Por Onde Começar?"). Martynov faz coro e declara que "a tendência do Iskra em diminuir a importância da marcha progressiva da obscura luta quotidiana, em relação à propaganda de ideias brilhantes e acabadas... foi coroada pelo plano de organização do partido, proposto no artigo "Por Onde Começar?" publicado no número 4 desse jornal" (Idem, p. 61). Enfim, ultimamente, àqueles a quem esse "plano" agastou (as aspas exprimem a ironia quanto a isso), juntou-se L. Nadejdine que, numa brochura que acabámos de receber — Às Vésperas da Revolução (editada pelo "grupo revolucionário socialista" Svoboda, que já conhecemos) — declara que "falar agora de uma organização cujos fios seriam atados a um jornal para toda a Rússia, é produzir em profusão ideias abstractas e trabalho de gabinete" (p. 126), é fazer "literatura falsificada" etc.

A solidariedade do nosso terrorista com os partidários da "marcha progressiva da obscura luta quotidiana" não nos poderia espantar: indicámos as raízes desse parentesco nos capítulos sobre a política e a organização. Mas, desde já devemos observar que L. Nadejdine, e só ele, tentou conscienciosamente penetrar no sentido do artigo que lhe desagradou, ao qual tentou responder em profundidade, enquanto o Rab. Dielo nada disse de profundo e apenas procurou confundir a questão através de uma série de procedimentos demagógicos indignos. E por mais desagradável que seja, é preciso primeiro perder tempo para limpar as estrebarias de Augias.

 

a) Quem se escandalizou com o artigo "Por onde começar"

Vamos citar o rosário de expressões e exclamações que o Rabótcheie Dielo lançou sobre nós. "Não é um jornal que pode criar a organização do Partido, mas sim, o contrário"... "Um jornal colocado acima do Partido, fora do seu controlo e independente do Partido graças à sua própria rede de agentes"... "Qual foi o milagre que fez com que o Iskra esquecesse as organizações social-democratas já existentes de facto no Partido ao qual ele próprio pertence?"... "Os que possuem firmes princípios e um plano apropriado são também os supremos reguladores da luta real do partido, ao qual ditam a execução do seu plano"... "O plano relega as nossas organizações tão reais e viáveis para o reino das trevas, e quer dar vida a uma rede fantástica de agentes"... "Se o plano do Iskra fosse executado, acabaria por apagar inteiramente os traços do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, em vias de formação entre nós"... "O órgão de propaganda torna-se um legislador incontrolado, autocrata, de toda a luta revolucionária prática"... "O que deve pensar o nosso partido sobre a sua submissão absoluta a uma redacção autónoma" etc. etc.

Como o conteúdo e o tom destas citações mostram ao leitor, o Rabótcheie Dielo escandalizou-se. Entretanto, escandalizou-se não por si próprio, mas pelas organizações e comités do nosso Partido que o Iskra pretensamente pretende relegar para o reino das trevas e até fazer apagar os traços. Que horror, pensarão vocês! Apenas uma coisa é estranha. O artigo "Por Onde Começar?" apareceu em Maio de 1901; os artigos do Rabótcheie Dielo, em Setembro de 1901; ora, já estamos a meio de Janeiro de 1902. Durante estes períodos de cinco meses (tanto antes como depois de Setembro) nem nenhum comité nem nenhuma organização levantaram protesto formal contra essa coisa monstruosa, que quer relegar comités e organizações para o reino das trevas! Ora, durante esse tempo, o Iskra e a grande maioria das outras publicações locais e não locais publicaram dezenas e centenas de informações vindas de todos os pontos da Rússia. Como pôde acontecer que aqueles a quem se quer relegar para o reino das trevas não se tenham apercebido nem escandalizado com tal coisa, mas sim, que tenha sido uma terceira pessoa a melindrar-se?

Isto ocorreu porque os comités e as outras organizações não brincam ao "democratismo", mas realizam trabalho útil. Os comités leram o artigo "Por Onde Começar?" e perceberam que constituía uma tentativa de "traçar o plano de uma organização de modo a poder começar a sua construção de todos os lados, e ao mesmo tempo" e como sabiam e compreendiam perfeitamente que nenhum "desses lados" pensava em "empreender a construção" antes de se convencer da sua necessidade e da realidade do plano arquitectónico, naturalmente nem mesmo pensaram em "escandalizar-se" com a extrema audácia dos homens que declararam no Iskra o seguinte: "dada a urgência e a importância dessa questão, decidimos, da nossa parte, submeter à consideração dos camaradas o esboço de um plano que desenvolveremos de forma mais detalhada numa brochura já em preparação". Será possível, quando se considera seriamente tal questão, não compreender que, se os camaradas aceitassem o plano que lhes era oferecido, executá-lo-iam não por "submissão", mas porque estavam convencidos da sua necessidade para a nossa causa comum, e se não o aceitassem, o "esboço" (que palavra pretensiosa, não é?) acabaria por permanecer um simples esboço? Não é verdade que constitui demagogia o facto de se declarar guerra a um esboço de plano, não apenas "demolindo-o completamente" e aconselhando os camaradas a rejeitá-lo, mas também incitando os homens menos experientes em matéria de revolução contra os autores do esboço, pelo simples facto de estes "ousarem legislar", de se colocarem como "reguladores supremos", isto é ousarem oferecer um esboço de plano? Será que o nosso partido pode desenvolver-se e seguir em frente, quando uma tentativa de elevar os militantes locais para concepções e objectivos de planos mais amplos etc., recebe objecções não só porque essas concepções parecem falsas, mas também porque se fica "escandalizado" pela "preocupação" de nos elevarmos? Assim, L. Nadejdine, por exemplo, também "demoliu completamente" o nosso plano, mas não se deixou levar por uma demagogia que não poderia ser explicada a não ser pela ingenuidade ou pelo carácter primitivo das concepções políticas; desde o início repudiou deliberadamente a acusação de se colocarem "inspectores do Partido" para esse fim. Portanto, pode-se e deve-se responder em profundidade à crítica do plano feita por Nadejdine, e responder ao Rabótcheie Dielo apenas com desprezo.

Mas o desprezo pelo escritor que se rebaixa ao ponto de censurar a "autocracia" e a "submissão", não nos dispensa da obrigação de desfazer a confusão que essas pessoas criam no leitor. Aqui, podemos demonstrar claramente a todos, qual é a qualidade das frases correntes sobre a "ampla democracia". Acusam-nos de esquecer os comités, de querer ou tentar relegá-los para o reino das trevas etc. O que responder a essas acusações, quando não podemos contar ao leitor quase nada de factual sobre as nossas relações práticas com os comités por razões ligadas à conspiração? As pessoas que lançam uma acusação áspera, que irrita a multidão, ganham vantagem pela sua desenvoltura e pelo desdém que demonstram pelos deveres do revolucionário, que esconde cuidadosamente dos olhos do mundo as relações e ligações que realiza, estabelece ou procura estabelecer. Compreende-se porque renunciamos de uma vez por todas a competir com essas pessoas no campo da "democracia". Quanto ao leitor não iniciado em todos os assuntos do Partido, o único meio de cumprir o nosso dever, é contar não o que existe ou o que se encontra em Werden, mas uma pequena parte do que já aconteceu, sobre o qual já se pode falar como coisa passada.

O Bund faz alusão à nossa "usurpação"[1]; a "União" sediada no estrangeiro acusa-nos de querer fazer desaparecer os traços do Partido. Olhem, senhores, terão plena satisfação quando expusermos ao público quatro factos extraídos do passado.

O primeiro facto[2]. Os membros de uma das "Uniões de luta", que tiveram participação directa na formação do nosso Partido e no envio de um delegado ao congresso que fundou o Partido, entenderam-se com um dos membros do grupo Iskra para criar uma biblioteca operária especial a fim de atender às necessidades de todo o movimento operário. Não se conseguiu criar uma biblioteca operária e as brochuras escritas para ela, As Tarefas dos Social-Democratas Russos e A Nova Lei Operária, chegaram por vias transversas e por intermédio de terceiros ao estrangeiro, onde foram impressas.

O segundo facto. Os membros do Comité Central do Bund propuseram a um dos membros do grupo Iskra montar, como então se expressou o Bund, um "laboratório literário". E lembraram que se isso não fosse conseguido, o nosso movimento poderia sofrer um recuo sensível. A brochura intitulada A Causa Operária na Rússia[3] foi a consequência das negociações.

O terceiro facto. O Comité Central do Bund, por intermédio de uma pequena cidade de província, propôs a um dos membros do Iskra que assumisse a direcção da Rabótchaia Gazeta a ser reinstituída; a proposta naturalmente foi aceite, mas depois modificada para proposta de colaboração, numa nova combinação com intervenção na redacção. De novo aceite. Foram enviados artigos (que se conseguiu conservar): "O Nosso Programa" — com um protesto directo contra a "bernsteiniada" e a reviravolta ocorrida na literatura legal e na Rabótchaia Mysl; "A Nossa Tarefa Imediata" ("a organização de um órgão do partido que apareça regularmente e esteja estreitamente ligado a todos os grupos locais", as insuficiências do "trabalho artesanal" predominante); "Uma Questão Urgente" (análise da objecção segundo a qual é preciso, primeiro, desenvolver a acção dos grupos locais, antes de se proceder à acção de um órgão comum; insistia-se sobre a importância primordial da "organização revolucionária", — sobre a necessidade de trazer para a organização, a disciplina e a técnica do trabalho clandestino elevada à mais alta perfeição"). A proposta de fazer reaparecer a Rabótchaia Gazeta não se concretizou e os artigos não foram impressos.

A quarta verdade. O membro do Comité, que organizou o II Congresso ordinário do nosso Partido, deu conhecimento a um membro do grupo Iskra do programa do congresso, e propôs a candidatura desse grupo para as funções de redacção da Rabótchaia Gazeta a ser reinstituída. Tal providência, por assim dizer preliminar, foi em seguida sancionada pelo Comité ao qual pertencia, bem como pelo Comité central do Bund; o grupo Iskra foi informado do lugar e da data do congresso, e (não fora assegurada, por determinadas razões, a possibilidade de enviar um delegado a esse congresso) também redigiu um relatório escrito especialmente para o congresso. O relatório exprimia a ideia de que a eleição do comité central, em si, não nos permitiria resolver o problema da união naquele período de plena dispersão que vivíamos, mas que, no caso de ocorrerem novas ondas de prisões, o que é mais do que provável que aconteça nas actuais e precárias condições do trabalho clandestino, ainda assim arriscaríamos a comprometer uma grande ideia: fundar um partido; era preciso, portanto, começar a convidar todos os comités e todas as outras organizações para apoiar o órgão comum reinstituído, que realmente ligaria todos os comités através de laços efectivos e prepararia realmente um grupo que assumiria a direcção de todo o conjunto do movimento; os comités e o Partido poderiam, então, transformar facilmente esse grupo criado pelos comités num comité central a partir do momento em que esse grupo crescesse e adquirisse forças. O congresso, entretanto, não pôde realizar-se por causa de uma série de detenções, e o relatório foi destruído por questões de segurança, após ter sido lido apenas por alguns camaradas, entre eles os delegados de um comité.

Que julgue o próprio leitor sobre a natureza das acusações como a alusão à usurpação, da parte do Bund, ou do argumento do Rabótcheie Dielo, que pretende termos sido nós a propor relegar os comités para o reino das trevas e "substituir" a organização do Partido pela organização da difusão das ideias através de um jornal. Sim, foi justamente perante esses comités, após repetidos convites que deles partiram, que apresentámos relatórios sobre a necessidade de aceitar um determinado plano de trabalho comum. Foi justamente para a organização do Partido que elaborámos esse plano nos artigos destinados à Rabótchaia Gazeta e num relatório para o congresso do Partido, e isso após termos sido convidados por aqueles que ocupavam posição tão influente no Partido, que assumiam a iniciativa da sua reconstituição (prática). E foi após o fracasso definitivo de duas tentativas de organização do Partido, para que juntamente connosco fosse oficialmente renovado o órgão central do Partido, que julgámos ser nosso primeiro dever lançar um órgão não oficial a fim de que, na terceira tentativa, os nossos camaradas pudessem ter diante deles certos resultados advindos da experiência, e não apenas de conjecturas hipotéticas. No momento actual, certos resultados dessa experiência já se encontram diante dos nossos olhos, e todos os camaradas podem julgar se compreendemos bem o nosso dever e, também, a opinião daqueles que buscam induzir o erro naqueles que ignoram o passado recente, a despeito de termos mostrado a uns, a sua inconsequência na questão "nacional", e a outros, a inadmissibilidade das vacilações por falta de princípios.

 

b) Pode um jornal ser um organizador colectivo?

O artigo "Por Onde Começar?" apresenta de essencial a colocação precisa dessa questão e a sua resolução pela afirmativa. Segundo sabemos, a única pessoa que tentou analisar a questão em profundidade e provar a necessidade de resolvê-la negativamente foi L. Nadejdine, cujos argumentos reproduzimos na íntegra:

"...A maneira como o Iskra põe em foco a necessidade de um jornal para toda a Rússia muito nos agrada, mas não podemos de forma alguma admitir que esse ponto de vista se identifique ao título do artigo, "Por Onde Começar?. Inegavel­mente isto constitui algo de extrema importância, mas não é dessa forma, nem com toda uma série de panfletos populares, nem com uma montanha de procla­mações que os fundamentos de uma organização de combate para um momento revolucionário podem ser lançados. É preciso abordar a questão da criação de for­tes organizações políticas locais. Não as temos, temos trabalhado sobretudo entre os operários instruídos, uma vez que as massas foram conduzidas quase que ex­clusivamente para a luta económica. Sem fortes organizações políticas locais bem treinadas, de que serviria um jornal para toda a Rússia, mesmo que fosse perfeitamente organizado? Uma sarça ardente que queima sem se con­sumir, e que não inflama a ninguém! Ao redor desse jornal e por esse jornal, o povo reunir-se-á e organizar-se-á para a acção, assim pensa o Iskra. Mas, esse objectivo será alcançado de modo muito mais rápido através da reunião e organização em torno de um trabalho mais concreto(!) que pode e deve con­sistir na criação de jornais locais em grande escala, na preparação imediata das forças operárias para manifestações; as organizações locais efectuarão uma ac­ção constante entre os sem-trabalho (difundir sem cessar, entre eles, folhas volan­tes e panfletos; convocar os sem-trabalho para reuniões, exortá-los à resis­tência ao governo etc.). É preciso empreender localmente um trabalho político vivo; e quando surgir a necessidade da união nesse terreno real, não será artificial e não permanecerá no papel. Não será com jornais que se poderá unificar o traba­lho local num plano comum para toda a Rússia" (Às Vésperas da Revolução, p. 54).

 Sublinhámos nesta passagem eloquente, os trechos que permitem melhor apreender a falsa ideia que o autor faz do nosso plano e, em geral, a falsidade do ponto de vista que ele opõe ao Iskra. Sem organizações políticas locais, fortes e bem treinadas, de nada serviria à Rússia o melhor jornal que se pudesse fazer. Isto é absolutamente correcto. Infelizmente, para educar pessoas para formar organizações políticas fortes não há outro meio senão um jornal para toda a Rússia. O autor não notou a declaração essencial do Iskra, a que precede a exposição do seu "plano": é preciso "apelar para a construção de uma organização revolucionária capaz de reunir todas as forças e que seja, não apenas de nome, mas também, de facto, a dirigente do movimento, isto é, uma organização sempre pronta a apoiar cada protesto e cada explosão, aproveitando-os para fazer crescer e fortalecer um exército apto a travar o combate decisivo". Agora, prossegue o Iskra, após os acontecimentos de Fevereiro e de Março, todos, em princípio, estarão de acordo com isso; ora, não necessitamos de uma solução que se baseie apenas em princípios, mas de uma solução prática para a questão. É preciso formular imediatamente um plano preciso de construção para que, prontamente e de todos os lados, todos possam empreender essa construção. Ora, querem arrastar-nos de novo, para trás, afastando-nos da solução prática, em direcção, a essa grande verdade, justa em princípio, incontestável, mas absolutamente insuficiente e incompreensível para a grande massa dos trabalhadores: "a formação de organizações políticas fortes". Não se trata mais disso, respeitável autor, mas da forma conveniente para se proceder precisamente à formação e de facto realizá-la.

É falso que "tenhamos trabalhado sobretudo entre os operários instruídos, enquanto as massas foram conduzidas quase que exclusivamente para a luta económica". Sob esta forma, esta afirmação desvia-se para a tendência radicalmente falsa, que a Svoboda sempre apresentou, de opor os operários instruídos à "massa". Durante estes últimos anos, os próprios operários instruídos também se conduziram, entre nós, "de forma quase exclusiva para a luta económica". Este é o primeiro ponto. Por outro lado, as massas nunca aprenderão a conduzir a luta política, se não ajudarmos a formar dirigentes para essa luta, tanto entre os operários instruídos, como entre os intelectuais. Ora, tais dirigentes apenas podem ser educados se iniciados na apreciação quotidiana e metódica de todos os aspectos da nossa vida política, de todas as tentativas de protesto e de luta das diferentes classes e por diferentes motivos. Por isso, falar de "formação de organizações políticas" e ao mesmo tempo opor "à trabalheira da papelada" de um jornal político, o "trabalho político vivo no plano local" é simplesmente ridículo! O Iskra não procura ajustar o "plano" do seu jornal ao "plano" que consiste em realizar um "grau de preparação" que permita apoiar ao mesmo tempo o movimento dos sem-trabalho, as revoltas camponesas, o descontentamento dos membros dos zemstvos, "a cólera da população contra os abusos deste ou daquele bachibuzuque czarista" etc. De facto, todos os que conhecem o movimento sabem muito bem que a grande maioria das organizações locais nem sequer pensa nisso; que muitos dos projectos de "trabalho político vivo", aqui indicados, ainda não foram executados por nenhuma organização; que, por exemplo, a tentativa de chamar a atenção para o crescimento do descontentamento e dos protestos entre os intelectuais dos zemstvos, descontenta também a Nadejdine ("Deus! Não é aos membros dos zemstvos que esse órgão está dirigido?" Às Vésperas da Revolução, p. 129), os "economistas" (carta no nº 12 do Iskra) e numerosos activistas. Nestas condições, pode-se "começar" somente por isto: incitando as pessoas a pensar, a totalizar e a generalizar até as menores manifestações de efervescência e de luta activa. Numa época onde as tarefas da social-democracia são depreciadas, não se pode começar o "trabalho político vivo" senão através de uma agitação política viva, o que é impossível sem um jornal para toda a Rússia, que apareça frequentemente e que seja difundido de forma regular.

Os que vêem no "plano" do Iskra apenas "literatura", não o compreende­ram na sua essência; tomaram como fim o que se propõe, no momento presente, como o meio mais indicado. Essas pessoas não se deram ao trabalho de reflectir sobre as duas comparações que ilustram esse plano de maneira relevante. A ela­boração de um jornal político para toda a Rússia — escrevia-se no Iskra — deve ser o fio condutor: seguindo-o, poderemos desenvolver ininterruptamente a orga­ni­zação, aprofundá-la e alargá-la (isto é, a organização revolucionária sempre pronta a apoiar qualquer protesto ou efervescência). Por favor, digam-me: quando, os pedreiros colocam em diferentes pontos as pedras de um enorme edifício, de linhas absolutamente originais, esticam um fio que os ajuda a encontrar o lugar justo para as pedras, que lhes indica o objectivo final de todo o trabalho, que lhes permite colocar não apenas cada pedra, mas até cada pedaço de pedra que, cimentado ao que o precedeu e ao que o sucede, formará a linha definitiva e total. Será isto um trabalho "de escrita"? Não é evidente que hoje atravessamos no nosso Partido um período em que, possuindo as pedras e os pedreiros, nos falta exactamente o fio visível a todos e ao qual cada um se possa ater? Deixemos gritar aqueles que sustentam que, esticando o fio, queremos é mandar: se assim fosse, meus senhores, ao invés de intitularmos o nosso jornal de Iskra nº 1, terí­amos utilizado o nome de Rabótchaia Gazeta nº 3, como nos foi proposto por alguns camaradas e como teríamos pleno direito de fazer após os aconteci­mentos relatados anteriormente. Mas não o fizemos, porque queríamos ter as mãos livres para combater sem piedade todos os pseudo-social-democratas: a partir do mo­mento em que o nosso fio fosse esticado correctamente, queríamos que fosse respeitado pela sua própria rectidão, e não por ter sido esticado por um órgão oficial.

"A unificação da actividade local nos órgãos centrais é uma questão que se movimenta num círculo vicioso", diz sentenciosamente L. Nadejdine. "Para tal unificação, necessitamos de elementos homogéneos: ora, essa homogeneidade não pode ser criada senão por algo que a unifique; mas a unificação só pode ser o produto de organizações locais fortes que, no momento presente, não se distin­guem exactamente pela homogeneidade". Verdade tão respeitável e tão incontes­tável como a que afirma a necessidade de educar pessoas para formar organiza­ções políticas fortes. Verdade, porém, não menos estéril. Qualquer questão "se movimenta num círculo vicioso", pois, toda a vida política é uma cadeia sem-fim composta de um número infinito de elos. A arte do político consiste precisamente em encontrar um elo e a ele agarrar-se fortemente, o elo mais difícil de escapar das mãos, o mais importante naquele momento, e que garanta ao seu possuidor a melhor forma de manter toda a cadeia[4]. Se tivéssemos uma equipa de pedreiros experientes, suficientemente solidários para poder colocar as pedras onde é preciso (falando de forma abstracta, não é totalmente impossível), mesmo sem um fio condutor, poderíamos, talvez, agarrar-nos a um outro elo. Infelizmente não temos ainda esses pedreiros experientes e solidários; e, com muita frequência, as pedras são colocadas sem alinhamento, ao acaso, a tal ponto deslocadas que basta ao inimigo um sopro para dispersá-las, não como se fossem pedras, mas sim, grãos de areia.

Outra comparação: "O jornal não é apenas um propagandista colectivo e um agitador colectivo; é também um organizador colectivo. A esse respeito, pode-se compará-lo aos andaimes que se levantam em redor de um edifício em construção; constitui o esboço dos contornos do edifício, facilita as comunicações entre os diferentes construtores, permitindo-lhes que repartam a tarefa e atinjam o conjunto dos resultados obtidos pelo trabalho organizado[5]. Pode-se realmente dizer que, da parte de um literato, de um homem especializado no trabalho de gabinete, haverá um exagero do seu papel? Os andaimes não são de modo algum necessários à construção em si; são feitos com material da pior qualidade; são utilizados durante um curto período de tempo e atirados ao fogo antes de a obra estar terminada. No que diz respeito à construção de organizações revolucionárias, a experiência confirma que, por vezes, é possível construí-las mesmo sem andaimes — como em 1870-1880. Mas, neste momento, não podemos sequer imaginar a possibilidade de construir sem andaimes o edifício de que necessitamos.

Nadejdine não está de acordo com isto, e diz: "Em torno desse jornal, por esse jornal, o povo reunir-se-á e organizar-se-á para a acção; assim pensa o Iskra. Mas esse objectivo será alcançado de modo muito mais rápido através da reunião e organização em torno de um trabalho mais concreto!" Certo, certo: "de modo muito mais rápido em torno de um trabalho mais concreto"... O provérbio russo diz: "Não cospe no poço quem precisará da água para saciar a sede." Mas há quem não se importe de saciar a sede no poço onde cuspiu. Nessa busca do mais concreto, quantas infâmias não foram levados a dizer e a escrever os nossos notáveis "críticos" legais "do marxismo" e os admiradores ilegais da Rabótchaia Mysl. Assim não é de espantar que o nosso movimento esteja comprimido pela nossa estreiteza, a nossa falta de iniciativa e de ousadia, justificadas por argumentos tradicionais semelhantes àquele que afirma ser muito mais rápida a unidade em torno de um trabalho mais concreto! E Nadejdine, que pretende ser particularmente dotado de senso das "realidades", que condena tão severamente os homens "de gabinete", que (com pretensões de sagacidade) recrimina o Iskra pela fraqueza de ver por toda a parte o "economismo", que imagina estar muito acima dessa divisão em ortodoxos e críticos, Nadejdine não percebe que, com os seus argumentos, faz o jogo dessa estreiteza que o indigna e que também bebe nos poços onde já cuspiu! Sim, a indignação mais sincera contra a estreiteza, o desejo mais ardente de desiludir aqueles que a reverenciam não são o bastante, se aquele que se indigna, erra ao sabor dos ventos, sem velas nem leme, e se se aferra instintivamente", tal como os revolucionários de 1870-1880, ao "terrorismo excitativo", ao "terrorismo agrário", ao "toque a rebate" etc. Vejamos, agora, em que consiste esse "algo de mais concreto" em torno do qual, pensa o autor, "será feita de modo muito mais rápido" a união e a organização: 1º) jornais locais; 2º) preparação de manifestações; 3º) acção entre os desempregados. Vê-se, à primeira vista, que todas essas coisas foram tomadas ao completo acaso, ao azar, unicamente para dizer alguma coisa, pois, qualquer que seja o modo com que sejam consideradas, seria um verdadeiro absurdo que aí se encontrasse algo especialmente susceptível de levar à "união e organização". Além disso, o próprio Nadejdine declara duas páginas adiante: "Já é tempo de constatarmos simplesmente este facto: na província o trabalho é ínfimo, os comités não fazem um décimo do que poderiam... os centros de unificação que possuímos, actualmente, são apenas ficção, burocratismo revolucionário, mania geral de se atacar mutuamente, e assim será enquanto não forem constituídas organizações locais fortes." Essas palavras, ainda que exageradas, encerram incontestavelmente uma grande e amarga verdade; mas, porque é que Nadejdine não vê que o trabalho local ínfimo é resultado da estreiteza de visão dos militantes, da pequena envergadura de sua acção, coisas inevitáveis devido à falta de preparação dos militantes confinados ao quadro das organizações locais? Teria esquecido, tal como o autor do artigo publicado na Svoboda sobre a organização, que nos seus primórdios a formação de uma grande imprensa local (a partir de 1898) foi acompanhada por uma intensificação especial do "economismo" e do "trabalho artesanal"? E mesmo que fosse possível organizar de forma conveniente "uma grande imprensa local" (cuja impossibilidade, salvo raríssimas excepções, já demonstrámos anteriormente), as organizações locais não poderiam "unir e organizar" todas as forças de revolucionários para uma ofensiva geral contra a autocracia, para a direcção da luta comum. Não se esqueçam que, aqui, se trata unicamente de um jornal como "factor de recrutamento", de organização, e que poderíamos devolver a Nadejdine, campeão do fraccionamento, a questão irónica que ele próprio nos coloca: "Teríamos recebido como herança 200.000 organizadores revolucionários?" Além disso, não seria possível opor a preparação de manifestações" ao plano do Iskra, pela simples razão de esse plano prever justamente manifestações de maior repercussão como um dos objectivos a atingir; porém, do que aqui se trata é da escolha dos meios práticos. Mais uma vez Nadejdine enveredou por um caminho falso; esqueceu-se que apenas um exército já "recrutado e organizado" pode "preparar" manifestações (que até agora, na grande maioria dos casos, se desenrolaram de maneira espontânea). Ora, o que exactamente não sabemos fazer, é recrutar e organizar. "Acção entre os desempregados". Sempre a mesma confusão, pois aí também se trata de uma operação militar de uma tropa mobilizada, e não de um plano de mobilização de tropas. Veremos até que ponto Nadejdine ainda subestima o prejuízo que nos causou o nosso fraccionamento, a ausência entre nós de "200.000 organizadores". Muitos (entre eles Nadejdine) recriminaram o Iskra por fornecer precárias informações sobre o desemprego e dar apenas notícias fortuitas sobre as ocorrências mais comuns da vida rural. A recriminação tem fundamento; nesse caso, porém, o Iskra é "culpado sem ter culpa". Esforçamo-nos para "esticar o nosso cordão" também no campo; mas aí quase não há pedreiros; é preciso que encorajemos todos aqueles que nos comunicam os factos, mesmo os mais corriqueiros, na esperança de que isso aumente o número de nossos colaboradores nesse campo, e que nos ensine, a todos, a escolher quais são os factos verdadeiramente relevantes. Mas, a documentação para o estudo é tão restrita que, se não for difundida para toda a Rússia, decididamente nada teremos para nos instruir. Naturalmente, um homem que possua algumas das capacidades de agitador de Nadejdine e o seu conhecimento da vida dos vagabundos poderia, através da agitação efectuada entre os desempregados, prestar serviços inestimáveis ao movimento; porém, desperdiçaria o seu talento se não se preocupasse em colocar todos os camaradas russos ao corrente do menor progresso da sua acção, a fim de dar exemplo e informações às pessoas que, na sua grande maioria, nem mesmo sabem ainda juntar-se a essa tarefa, que lhes é desconhecida.

Hoje, sem excepção, todos falam da importância que se atribui à unificação, da necessidade de "recrutar e organizar"; mas a maior parte das vezes não se tem ideias definidas sobre a questão de saber por onde começar e como realizar essa unificação. Sem dúvida estarão de acordo que para "unificar", por exemplo, os círculos de bairro de uma cidade, é preciso que haja instituições comuns, isto é, não apenas o nome comum de "união", mas na verdade todo o trabalho, uma troca de documentação, experiência e forças, uma partilha de funções para cada actividade dentro da cidade, não só por bairros, mas por especialidades. Qualquer um concordará que um aparelho clandestino sério não poderá realizar as suas "empreitadas" (se for permitido empregar esta expressão comercial), se estiver limitado aos "recursos" (materiais e humanos, bem entendido) de um único bairro, e que o talento de um especialista não poderá ser desenvolvido num campo de acção tão restrito. O mesmo ocorre em relação à união das diferentes cidades, pois a história do nosso movimento social-democrata já demonstrou e mostra que o campo de acção de uma localidade isolada é extremamente limitado: isto já foi provado anteriormente, de forma detalhada, pelo exemplo da agitação política e do trabalho de organização. É preciso — e indispensável — antes de tudo, alargar esse campo de acção, criar uma ligação efectiva entre as cidades na base de um trabalho geral regular, pois o fraccionamento reprime as faculdades daqueles que, "encerrados numa torre" (segundo a expressão do autor de uma carta ao Iskra), ignoram o que se passa no mundo, não sabem com quem se informar, como adquirir experiência, como satisfazer a sua sede de uma acção extensa. E insisto em sustentar que apenas se pode começar a criar essa ligação efectiva com um jornal comum, empresa única e regular para toda a Rússia, que resumirá as mais variadas actividades e incitará as pessoas a progredir constantemente por todas as numerosas vias que conduzem à revolução, da mesma forma que todos os caminhos levam a Roma. Se nos queremos unir não apenas em palavras, é preciso que cada círculo local reserve imediatamente, digamos, um quarto das suas forças para a participação activa na obra comum. E o jornal mostrará prontamente[6] os contornos gerais, as proporções e o carácter dessa obra; as lacunas que se fazem sentir mais fortemente na acção conduzida à escala nacional, os lugares onde a agitação é deficiente e onde a ligação é precária, as engrenagens do imenso mecanismo comum que o círculo poderia reparar ou substituir por outras melhores. Um círculo, que ainda não trabalhou e procura fazê-lo, poderia começar não como um artesão isolado na sua pequena oficina, que não conhece nem a evolução anterior da "indústria", nem o estado geral dos meios de produção industrial, mas como o colaborador de uma grande empresa que reflecte o impulso revolucionário geral contra a autocracia. E quanto mais perfeito fosse o acabamento de cada engrenagem, mais numerosos seriam os trabalhadores empregados nos diferentes detalhes da obra comum, mais densa seria a nossa rede, e menores as inevitáveis detenções a perturbar os nossos escalões.

A própria função de difusão do jornal começaria a criar uma ligação efectiva (se esse jornal for digno do nome, isto é, se aparecer regularmente e não uma vez por mês, como as grandes revistas, mas cerca de quatro vezes por mês). As relações entre cidades quanto às necessidades da causa revolucionária são, hoje, muito raras e, quando existem, constituem excepção; tornar-se-iam, então, uma regra e assegurariam, bem entendido, não apenas a difusão do jornal, mas também (o que é mais importante) a troca de experiências, documentação, forças e recursos. O trabalho de organização assumiria amplitude muito mais considerável, e o sucesso obtido numa localidade encorajaria constantemente o aperfeiçoamento do trabalho, incitaria ao aproveitamento da experiência já adquirida pelos camaradas que militassem noutro ponto do país. O trabalho local ganharia infinitamente em extensão e variedade; as revelações políticas e económicas recolhidas em toda a Rússia forneceriam o alimento intelectual aos operários de todas as profissões e de todos os graus de desenvolvimento; forneceriam material e oportunidade para debates e conferências sobre as mais variadas questões, suscitadas, também, pelas alusões da imprensa legal, pelas conversas em sociedade e pelos "tímidos" comunicados do governo. Cada explosão, cada manifestação seria apreciada e examinada sob todos os seus aspectos, em todos os pontos da Rússia; provocaria o desejo de não se ficar atrás dos outros, de se fazer melhor que os outros — (nós, socialistas, não recusamos de forma absoluta qualquer forma de emulação e "competição"!) — de preparar conscientemente o que antes fora feito de forma espontânea, de aproveitar as circunstâncias favoráveis de tempo ou de lugar para modificar o plano de ataque etc. Além disso, essa reanimação do trabalho local não conduziria a essa tensão desesperada, in extremis, de todas as forças, a esse estado de alerta de todos os nossos homens, a que nos obriga ordinariamente, hoje, toda a manifestação ou número de jornal local: de um lado, a polícia teria muito mais dificuldade para descobrir as "raízes", não sabendo em que localidade procurá-las; de outro, o trabalho comum regular ensinaria os homens a adequar um determinado ataque ao estado das forças deste ou daquele destacamento do nosso exército comum (o que, hoje, quase ninguém pensa, pois, em cada dez ataques, nove produzem-se espontaneamente) e facilitaria o "transporte" não apenas da literatura de propaganda, mas também de forças revolucionárias, de um lugar ao outro.

Actualmente, na sua maioria, essas forças são exauridas no estreito campo de acção do trabalho local. Mas, nessas outras circunstâncias, haveria a possibilidade e a oportunidade constantes de transferir de um extremo ao outro do país qualquer agitador ou organizador por menos capaz que fosse. Após terem começado por pequenas viagens para tratar de assuntos do Partido, às custas do Partido, os militantes estariam habituados a viver inteiramente por conta do Partido; tornar-se-iam revolucionários profissionais e preparar-se-iam para o papel de verdadeiros chefes políticos.

E se realmente chegássemos a obter que a totalidade ou a maior parte dos comités, grupos e círculos locais se associassem activamente para a obra comum, poderíamos em breve elaborar um semanário, regularmente divulgado em deze­nas de milhares de exemplares por toda a Rússia. Esse jornal seria parte de um gigantesco fole de uma forja que atiçasse cada fagulha da luta de classes e da in­dignação popular, para daí fazer surgir um grande incêndio. Em torno dessa obra, em si ainda inofensiva e pequena, mas regular e geral no pleno sentido da pala­vra, um exército permanente de lutadores experimentados seria sistematicamente recrutado e instruído. Sobre os andaimes e cavaletes dessa organização comum em construção, logo veríamos subir, saídos das fileiras dos nossos revolucioná­rios, os Jeliabov social-democratas e, saídos das fileiras dos nossos operários, os Bebel russos que, à frente desse exército mobilizado, levantariam todo o povo para fazer justiça à vergonha e à maldição que pesam sobre a Rússia.

É com isto que precisamos sonhar!

***

"É preciso sonhar!" Escrevo estas palavras e de repente tenho medo. Imagino-me sentado no "congresso da unificação", tendo à minha frente os redactores e colaboradores do Rabótcheie Dielo. E eis que se levanta o camarada Martynov e, ameaçador, dirige-me a palavra: "Mas, permita-me perguntar! Uma redacção autónoma ainda tem o direito de sonhar sem ter comunicado tal facto aos comités do Partido?" Depois, é o camarada Kritchévskí que se dirige a mim e (aprofundando filosoficamente o camarada Martynov, que há muito tempo já aprofundara o camarada Plekhanov) continua ainda mais ameaçador: "Irei mais longe. Pergunto-lhe: um marxista tem, em geral, o direito de sonhar, se ainda não esqueceu que, segundo Marx, à humanidade sempre se põem tarefas realizáveis, e que a táctica é um processo de crescimento das tarefas do Partido, que crescem junto com o Partido?"

À simples lembrança destas questões ameaçadoras sinto um calafrio, e penso apenas numa coisa: onde me vou esconder. Talvez atrás de Pissarev.

"Há desacordos e desacordos", escrevia Pissarev sobre o desacordo entre o sonho e a realidade. "O meu sonho pode ultrapassar o curso natural dos acontecimentos ou desviar-se para uma direcção onde o curso natural dos acontecimentos jamais poderá conduzir. No primeiro caso, o sonho não produz nenhum mal; pode até sustentar e reforçar a energia do trabalhador... Em tais sonhos, nada pode corromper ou paralisar a força de trabalho. Pelo contrário. Se o homem fosse completamente desprovido da faculdade de sonhar assim, se não pudesse de vez em quando adiantar-se ao presente e contemplar em imaginação o quadro lógico e inteiramente acabado da obra que apenas se esboça nas suas mãos, eu não poderia decididamente compreender o que levaria o homem a empreender e a realizar vastos e fatigantes trabalhos na arte, na ciência e na vida prática... O desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de nocivo se, cada vez que sonha, o homem acredita seriamente no seu sonho, se observa atentamente a vida, compara as suas observações com os seus castelos no ar e, de uma forma geral, trabalha conscientemente para a realização do seu sonho. Quando existe contacto entre o sonho e a vida, tudo vai bem".

Infelizmente há poucos sonhos dessa espécie no nosso movimento. E a culpa é sobretudo dos nossos representantes da crítica legal e do "seguidismo" ilegal, que se gabam de ponderação e do seu "senso" do "concreto".

 

V Parte - 2

[1] Iskra, nº 8, resposta do Comité Central da União Geral dos Judeus da Rússia e da Polónia, em nosso artigo sobre a questão nacional. – Lenine.

[2] É deliberadamente que apresentamos estes factos por ordem diferente daquela em que ocorreram. – Lenine.

[3] Em relação a isso, o autor dessa brochura pediu-me para dar a conhecer que, tal como suas brochuras anteriores, também esta foi enviada à "União", supondo que o redactor das publicações fosse o grupo "Libertação do Trabalho" (dadas as circunstâncias, não podia no momento, isto é, em Fevereiro de 1899, imaginar a mudança de redacção). Essa brochura será prontamente reeditada pela Liga. – Lenine.

[4] Camarada Kritchévski e camarada Martynov: chamo a vossa atenção para esta revol­tante manifestação de "autocratismo", de "autoridade incontrolada", de "regulamenta­ção suprema", etc., pensem nisto: o desejo de possuir toda a cadeia! Redijam depressa uma queixa. Há aqui assunto para dois editoriais do nº 12 do Rabótcheie Dielo! – Lenine.

[5] Martynov, que cita a primeira frase dessa passagem no Rabótcheie Dielo (nº 18 p.62), omite exactamente a segunda, como se quisesse mostrar a intenção de não tocar no fundo da questão, ou incapacidade de compreendê-la. – Lenine.

[6] Com uma reserva: se aprovar a orientação desse jornal e julgar útil à causa tornar-se seu colaborador, entendendo-se por isso não apenas a colaboração literária, mas toda colaboração revolucionária em geral. Nota para o Rabótcheie Dielo: subtende-se esta reserva para os revolucionários que apreciam o trabalho em lugar de brincar à democracia, que não separam a "simpatia" da participação mais ativa e mais real. – Lenine.


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publicado por portopctp às 20:03
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